
CONFISSÃO DE FÉ
Subscrevemos a Confissão Batista de 1689
A Confissão de Fé Batista de 1689, também conhecida como Segunda Confissão de Fé de Londres, é a mais importante e influente confissão da história batista. Ela surgiu na Inglaterra do século XVII, em um período de grande desenvolvimento teológico entre os protestantes reformados.
Os seus escritores eram batistas particulares, isto é, batistas de convicção reformada, que desejavam demonstrar sua concordância com as grandes doutrinas da Reforma Protestante. Por isso, a Confissão de 1689 foi escrita seguindo muito de perto a estrutura e a linguagem da Confissão de Westminster (1646), dos presbiterianos, e da Declaração de Savoy (1658), dos congregacionais.
No prefácio da própria confissão, os autores afirmam o desejo de mostrar sua unidade na fé cristã com outros irmãos reformados de sua época, diferenciando-se principalmente nas doutrinas relacionadas ao batismo e à forma de governo da igreja. Assim, a Confissão de 1689 expressa não apenas convicções distintivamente batistas, mas também a profunda herança reformada compartilhada com outros ramos históricos do protestantismo.
Em 1689, representantes de mais de cem igrejas batistas particulares da Inglaterra e do País de Gales declararam publicamente sua concordância com essa confissão, consolidando-a como o principal documento doutrinário da tradição batista histórica.
Ao longo dos séculos, a Confissão Batista de 1689 exerceu profunda influência sobre igrejas, pastores e missionários batistas em diversas partes do mundo. A tradição batista que chegou ao Brasil também possui raízes históricas nos herdeiros desse movimento confessional inglês, tornando a Confissão de 1689 um importante marco da identidade histórica e teológica dos batistas.
AO LEITOR SENSATO E IMPARCIAL
Amado leitor,
Já se passaram muitos anos desde que muitos de nós, juntamente com outros cristãos sóbrios, que procuram viver e andar no caminho do Senhor, julgamos necessário publicar uma confissão de nossa fé. Fizemos isso para informar e satisfazer aqueles que não compreendiam bem os nossos princípios, ou que haviam recebido preconceitos contra a nossa doutrina por causa da forma distorcida com que alguns homens a apresentavam. Esses homens nos julgavam de modo impróprio e, assim, levavam outros a formar ideias equivocadas sobre nós e sobre a nossa fé.
Essa confissão foi publicada primeiramente por volta do ano de 1643, em nome de sete congregações então reunidas em Londres. Desde aquele tempo, muitas cópias foram espalhadas, e o propósito que tínhamos em vista foi, em boa medida, alcançado. Muitos, incluindo alguns homens eminentes tanto em piedade quanto em conhecimento, ficaram satisfeitos ao perceber que não éramos culpados das heresias e erros fundamentais dos quais tantas vezes fomos acusados, sem motivo ou ocasião dada de nossa parte. Como aquela confissão já não era facilmente encontrada, e como muitos outros desde então abraçaram a mesma verdade nela contida, julgamos necessário dar juntos ao mundo este testemunho de nossa firme adesão àqueles princípios saudáveis.
Como o método e a forma de expressar nossos pensamentos nesta confissão são diferentes da anterior, embora a substância da doutrina seja a mesma, diremos francamente a razão disso. Este trabalho foi realizado não somente para prestar contas aos cristãos que diferem de nós quanto ao batismo, mas também para benefício de todos aqueles que considerarem útil o nosso labor, para sua instrução e confirmação nas grandes verdades do Evangelho. Nosso maior interesse é que nossa caminhada com Deus seja agradável e frutífera diante dele.
Por isso, entendemos que era necessário nos expressarmos de maneira mais completa e distinta, usando também um método mais claro para expor a nossa fé. Quanto a isso, não tendo encontrado defeito no que foi estabelecido pela Assembleia de Westminster, e posteriormente por aqueles de convicção congregacional, concordamos prontamente que seria melhor manter a mesma ordem nesta confissão. Também observamos que os congregacionais, por razões importantes para eles e para outros, escolheram expressar seus pensamentos em palavras muito semelhantes às de Westminster nos artigos em que concordavam, e em grande parte sem variação dos termos.
Da mesma forma, julgamos melhor seguir esse exemplo e usar as mesmas palavras naqueles muitos artigos em que a nossa fé e doutrina são as mesmas. Fizemos isso principalmente para manifestar nossa concordância com eles em todos os pontos fundamentais da religião cristã, bem como com muitos outros cujas confissões ortodoxas foram publicadas ao mundo em nome dos protestantes de diversas nações e cidades. Também desejamos convencer a muitos de que não pretendemos obscurecer a religião com novas palavras, mas concordar prontamente com aquelas palavras sãs que, em conformidade com as Sagradas Escrituras, foram usadas por outros antes de nós.
Declaramos, portanto, diante de Deus, dos anjos e dos homens, nossa amigável concordância com eles nas sãs doutrinas protestantes, as quais eles afirmaram com tão clara evidência das Escrituras. De fato, algumas coisas foram acrescentadas em certos lugares, alguns termos foram omitidos e alguns poucos foram modificados. Mas essas alterações são de tal natureza que, por causa delas, não deve haver dúvida, acusação ou suspeita de heresia contra quaisquer de nossos irmãos. Naquilo em que diferimos dos outros, temos nos expressado com sinceridade e clareza, para que ninguém nos acuse de esconder em segredo algo que desejamos que o mundo não conheça. Assim, esperamos ter observado as regras da modéstia e da humildade, de modo que a nossa liberdade nesse assunto não seja ofensiva nem mesmo àqueles cujas opiniões são diferentes das nossas.
Também tivemos o cuidado de acrescentar textos da Escritura para confirmar cada ponto da nossa confissão. Nessa obra, procuramos selecionar as passagens mais claras e pertinentes para provar aquilo que afirmamos. Nosso sincero desejo é que todos aqueles em cujas mãos este documento chegar sigam o exemplo, jamais suficientemente elogiado, dos nobres bereanos, que examinavam diariamente as Escrituras para verificar se as coisas que lhes eram ensinadas eram de fato verdadeiras.
Há ainda uma coisa que professamos com sinceridade e desejamos ardentemente que nos seja concedido crédito nisso: este é o nosso propósito mais profundo em tudo o que fizemos neste assunto. Esperamos que a liberdade franca com que revelamos nossos princípios, e com que abrimos nosso coração a nossos irmãos, mostrando os fundamentos bíblicos sobre os quais repousam nossa fé e prática, não nos seja negada nem retirada por ninguém.
Nosso desejo será plenamente satisfeito se nossos princípios e nossa prática forem julgados com justiça, de acordo com aquilo que agora publicamos. O Senhor, cujos olhos são como chama de fogo, sabe que esta é a doutrina na qual cremos firmemente, de todo o coração, e que nos empenhamos sinceramente para conformar nossa vida a ela.
Desejamos que, deixando de lado outras controvérsias, o andar humildemente com Deus e a prática do amor e da mansidão uns para com os outros sejam o principal cuidado de todos aqueles que são chamados pelo nome do nosso bendito Redentor. Que todos se empenhem no aperfeiçoamento da santidade no temor do Senhor, vivendo de modo digno do Evangelho, e promovendo vigorosamente em outros, conforme seu lugar e capacidade, a prática da verdadeira religião, pura diante de Deus nosso Pai.
Nestes dias de apostasia, que não desperdicemos nosso fôlego apenas acusando infrutiferamente as maldades dos outros. Antes, que cada um de nós comece em sua própria casa, reformando primeiro o próprio coração e a própria vida, e só então se apresse em fazer o mesmo onde quer que tenha influência. Assim, se Deus quiser, ninguém se enganará descansando em uma forma de piedade sem o seu poder, nem deixará de experimentar pessoalmente a eficácia daquelas verdades que professa.
Na verdade, a decadência da religião em nossos dias tem uma causa que não podemos deixar de observar atentamente e de insistir seriamente em sua correção: a negligência da adoração a Deus nas famílias por parte daqueles que se comprometeram a honrá-lo com suas ações e conduta. Os pais não têm ensinado seus filhos no caminho em que devem andar quando ainda são jovens. Têm negligenciado o mandamento solene que o Senhor lhes deu de catequizá-los e instruí-los, para que os anos da juventude deles sejam temperados pelo conhecimento da verdade de Deus revelada nas Escrituras.
Além disso, porque os próprios pais têm sido omissos na oração e em outros deveres sagrados para com suas famílias, e também por causa do mau exemplo de conversas vãs, os filhos aprendem primeiro a negligenciar e depois a desprezar toda piedade e religião cristã. Sabemos que isso não serve de desculpa para a cegueira e impiedade de ninguém, e certamente enfrentarão justo juízo aqueles que assim procedem, pois estão mortos em seus próprios pecados. Mas não recairá o sangue deles sobre aqueles sob cujo cuidado estavam, se estes não os advertiram, mas os conduziram pelos caminhos da destruição? E não se levantarão os cristãos do passado para julgá-los e condená-los por causa da negligência desses deveres?
Concluímos com nossa sincera oração: que o Deus de toda graça derrame sobre nós o seu Santo Espírito, para que a confissão da verdade seja acompanhada por sã doutrina e pela prática diligente dessa verdade em nossa vida. Que o seu nome seja glorificado em todas as coisas, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.1. As Sagradas Escrituras são a única, suficiente, correta e infalível regra de todo conhecimento, fé e obediência salvíficos,¹ embora a luz da natureza e as obras da criação e da providência manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, a ponto de tornar os homens indesculpáveis; ainda assim, não são suficientes para oferecer aquele conhecimento de Deus e de Sua vontade, que é necessário para a salvação;² portanto aprouve ao Senhor, em diversas ocasiões, e de muitas maneiras, revelar-Se, e declarar a Sua vontade para a Sua Igreja;³ e, posteriormente, para melhor preservação e propagação da verdade, e para o mais seguro estabelecimento e consolo da Igreja contra a corrupção da carne e da malícia de Satanás e do mundo, concedeu a mesma completamente por escrito; o que faz da Sagrada Escritura indispensável. Aqueles antigos modos de Deus revelar a Sua vontade ao Seu povo agora cessaram.⁴
1 2Tm 3.15-17; Is 8.20; Lc 16.29,31; Ef 2.20 | 2 Rm 1.19-21, 2.14-15; Sl 19.1-3 | 3 Hb 1.1 | 4 Pv 22.19-21; Rm 15.4; 2Pe 1.19-20
2. Sob o nome de Sagradas Escrituras, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os Livros do Antigo e do Novo Testamento, que são estes:DO ANTIGO TESTAMENTO: Gênesis; Êxodo; Levítico; Números; Deuteronômio; Josué; Juízes; Rute; 1 Samuel, 2 Samuel; 1 Reis, 2 Reis; 1 Crônicas, 2 Crônicas; Esdras; Neemias; Ester; Jó; Salmos; Provérbios; Eclesiastes; Cantares de Salomão; Isaías; Jeremias, Lamentações; Ezequiel; Daniel; Oséias; Joel; Amós; Obadias; Jonas; Miquéias; Naum; Habacuque; Sofonias; Ageu; Zacarias; Malaquias.
DO NOVO TESTAMENTO: Os Evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas e João; Atos dos Apóstolos; as Epístolas de Paulo aos Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 Tessalonicenses, 2 Tessalonicenses, 1 Timóteo, 2 Timóteo, Tito, Filemom; a Epístola aos Hebreus; a Epístola de Tiago; a Primeira e Segunda Epístolas de Pedro; a Primeira, Segunda e Terceira Epístolas de João; a Epístola de Judas; Apocalipse.
Todos os quais são dados por inspiração de Deus, para ser a regra de fé e vida.⁵
5 2Tm 3.16
3. Os livros comumente chamados Apócrifos, não sendo de inspiração Divina, não fazem parte do cânon ou regra da Escritura; e, portanto, não são de autoridade para a Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados, senão como escritos humanos.⁶
6 Lc 24.27,44; Rm 3.2
4. A autoridade das Sagradas Escrituras, razão pela qual devem ser cridas, não depende do testemunho de qualquer homem ou Igreja, mas depende somente de Deus (que é a própria Verdade), o seu Autor; e, portanto, deve ser recebida, porque é a Palavra de Deus.⁷
7 2Pe 1.19-21; 2Tm 3.16; 2Ts 2.13; 1Jo 5.9
5. Nós podemos ser movidos e compelidos pelo testemunho da Igreja de Deus a um alto e reverente apreço pelas Sagradas Escrituras; e a sublimidade do assunto, a eficácia da sua doutrina, a majestade do estilo, a concordância de todas as partes, o escopo do seu todo (que é dar toda a glória a Deus), a plena revelação que faz do único caminho da salvação do homem, as suas muitas outras excelências incomparáveis e sua completa perfeição, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser a Palavra de Deus; ainda assim, não obstante, a nossa plena persuasão e certeza de sua verdade infalível e autoridade Divina provêm da operação interna do Espírito Santo, testemunhando por meio da e com a Palavra em nossos corações.⁸
8 Jo 16.13-14; 1Co 2.10-12; 1Jo 2.20,27
6. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a Sua própria glória, a salvação do homem, fé e vida, ou é expressamente declarado ou necessariamente contido nas Sagradas Escrituras, ao que nada, em qualquer tempo, deve ser acrescentado, seja por novas revelações do Espírito, ou por tradições humanas.⁹ No entanto, nós reconhecemos a iluminação interior do Espírito de Deus como sendo necessária para a compreensão salvífica das coisas reveladas na Palavra;¹⁰ e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto a Deus e ao governo da Igreja, comuns às ações e sociedades humanas, as quais devem ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência Cristã, segundo as regras gerais da Palavra, que devem sempre ser observadas.¹¹
9 2Tm 3.15-17; Gl 1.8-9 | 10 Jo 6.45; 1Co 2.9-12 | 11 1Co 11.13-14; 1Co 14.26,40
7. Nem todas as coisas em si mesmas são igualmente claras na Escritura, nem igualmente claras a todos;¹² ainda assim, aquelas coisas que necessitam ser conhecidas, cridas e observadas, para a salvação, são tão claramente propostas e desveladas em algum ou outro lugar da Escritura, de forma que não apenas os doutos, mas os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas.¹³
12 2Pe 3.16 | 13 Sl 19.7; Sl 119.130
8. O Antigo Testamento em Hebraico (que era a língua nativa do povo de Deus no passado),¹⁴ e o Novo Testamento em Grego (que, na época em que foi escrito, era mais comumente conhecido entre as nações), sendo imediatamente inspirados por Deus e pelo Seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos; assim, em todas as controvérsias sobre a Religião, a Igreja deve apelar para eles.¹⁵ Mas, porque essas línguas originais não são conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras, e é ordenado, no temor de Deus, a lê-las¹⁶ e a examiná-las,¹⁷ portanto, elas devem ser traduzidas para a língua comum de cada povo aonde chegar,¹⁸ para que, a Palavra de Deus habitando abundantemente em todos, eles possam adorá-lO de uma maneira aceitável, e pela paciência e consolação das Escrituras, possam ter esperança.¹⁹
14 Rm 3.2 | 15 Is 8.20 | 16 At 15.15 | 17 Jo 5.39 | 18 1Co 14.6,9,11,12,24,28 | 19 Cl 3.16
9. A regra infalível de interpretação da Escritura é a própria Escritura; e, portanto, quando houver uma questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer Escritura (que não é múltiplo, mas único), esse pode ser investigado por meio de outros textos que o expressem mais claramente.²⁰
20 2Pe 1.20-21; At 15.15-16
10. O Juiz supremo, pelo qual todas as controvérsias da Religião devem ser determinadas, e todos os decretos de concílios, opiniões de escritores antigos, doutrinas de homens e espíritos particulares devem ser examinados, e em cuja sentença devemos nos firmar, não pode ser outro senão as Sagradas Escrituras anunciadas pelo Espírito; no que a Escritura assim anuncia, nossa fé é finalmente decidida.²¹
21 Mt 22.29,31,32; Ef 2.20; At 28.231. O Senhor nosso Deus é somente um Deus vivo e verdadeiro;¹ cuja subsistência é em e de Si mesmo,² infinito em Seu ser e perfeição; cuja essência não pode ser compreendida por qualquer outro, senão por Ele mesmo;³ um espírito puríssimo,⁴ invisível, sem corpo, partes ou paixões, a Quem somente pertence a imortalidade, que habita em luz que nenhum homem pode acessar;⁵ é imutável,⁶ imenso,⁷ eterno,⁸ incompreensível, onipotente,⁹ em tudo infinito, santíssimo, sapientíssimo,¹⁰ completamente livre e absoluto, operando todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade imutável e justíssima,¹¹ para a Sua própria glória.¹² É cheio de amor, gracioso, misericordioso, longânimo, abundante em bondade e verdade, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado; o galardoador dos que diligentemente O buscam¹³ e, contudo, justíssimo e terrível em Seus julgamentos;¹⁴ odiando todo pecado;¹⁵ e Quem de modo algum terá o culpado por inocente.¹⁶
1 1Co 8.4,6; Dt 6.4 | 2 Jr 10.10; Is 48.12 | 3 Êx 3.14 | 4 Jo 4.24 | 5 1Tm 1.17; Dt 4.15-16 | 6 Ml 3.6 | 7 1Rs 8.27; Jr 23.23 | 8 Sl 90.2 | 9 Gn 17.1 | 10 Is 6.3 | 11 Sl 115.3; Is 46.10 | 12 Pv 16.4; Rm 11.36 | 13 Êx 34.6-7; Hb 11.6 | 14 Ne 9.32-33 | 15 Sl 5.5-6 | 16 Êx 34.7; Na 1.2-3
2. Deus possui toda a vida,¹⁷ glória,¹⁸ bondade,¹⁹ bem-aventurança, em e de Si mesmo; Ele é todo suficiente para Si, e não possui necessidade de quaisquer criaturas que Ele fez, nem delas deriva glória alguma,²⁰ mas apenas manifesta Sua própria glória em, por, para e sobre elas; Ele é a única origem de todo ser, de Quem, por Quem e para Quem são todas as coisas;²¹ e Ele exerce soberano domínio sobre todas as criaturas, para fazer por elas, para elas ou sobre elas tudo que Lhe apraz.²² Todas as coisas estão manifestas e patentes diante dEle;²³ Seu conhecimento é infinito, infalível e independente da criatura; assim como nada para Ele é contingente ou incerto.²⁴ Ele é santíssimo em todos os Seus conselhos, em todas as Suas obras²⁵ e em todos os Seus comandos. A Ele, é devido da parte de anjos e homens todo o culto,²⁶ serviço ou obediência que, como criaturas, eles devem em relação ao seu Criador, e tudo quanto mais Ele Se agrada em requerer deles.
17 Jo 5.26 | 18 Sl 148.13 | 19 Sl 119.68 | 20 Jó 22.2-3 | 21 Rm 11.34-36 | 22 Dn 4.25,34,35 | 23 Hb 4.13 | 24 Ez 11.5; At 15.18 | 25 Sl 145.17 | 26 Ap 5.12-14
3. Em Seu ser Divino e infinito há três subsistências, o Pai, a Palavra ou o Filho, e o Espírito Santo,²⁷ de uma só substância, poder e eternidade, cada um possuindo completa essência Divina, e ainda assim, a essência é indivisível:²⁸ O Pai de ninguém é gerado nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai;²⁹ o Espírito Santo é procedente do Pai e do Filho;³⁰ todos infinitos e sem princípio de existência. Portanto, um só Deus; que não deve ser divido em Seu ser ou natureza, mas, sim, distinguido pelas diversas propriedades peculiares e relativas, e relações pessoais; esta doutrina da Trindade é o fundamento de toda a nossa comunhão com Deus, e confortável dependência dEle.
27 1Jo 5.7; Mt 28.19; 2Co 13.13 | 28 Êx 3.14; Jo 14.11; 1Co 8.6 | 29 Jo 1.14,18 | 30 Jo 15.26; Gl 4.61. Deus decretou em Si mesmo, desde toda a eternidade, pelo mui sábio e santo conselho de Sua própria vontade, livre e imutavelmente todas as coisas, seja o que for que venha a acontecer;¹ ainda assim, de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem tem comunhão com algo nisso;² nem é violentada a vontade da criatura, nem ainda é eliminada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas;³ nas quais demonstra-se a Sua sabedoria em dispor de todas as coisas, e poder e fidelidade em efetuar o Seu decreto.⁴
1 Is 46.10; Ef 1.11; Hb 6.17; Rm 9.15,18 | 2 Tg 1.13; 1Jo 1.5 | 3 At 4.27-28; Jo 19.11 | 4 Nm 23.19; Ef 1.3-5
2. Embora Deus conheça tudo o que possa ou venha a ocorrer, sobre todas as circunstâncias imagináveis;⁵ ainda assim, Ele não decretou qualquer coisa, porque Ele a previu como futura, ou como aquilo que poderia ocorrer em tais condições.⁶
5 At 15.18 | 6 Rm 9.11,13,16,18
3. Por meio do decreto de Deus e para manifestação da Sua glória, alguns homens e anjos são predestinados ou preordenados para a vida eterna por meio de Jesus Cristo,⁷ para o louvor de Sua gloriosa graça;⁸ outros são deixados a agir em seus pecados para a sua justa condenação, para o louvor da Sua gloriosa justiça.⁹
7 1Tm 5.21; Mt 25.34 | 8 Ef 1.5-6 | 9 Rm 9.22-23; Jd 4
4. Esses anjos e homens, assim predestinados e preordenados, são particular e imutavelmente designados; e o seu número é tão certo e definido, que não pode ser aumentado ou diminuído.¹⁰
10 2Tm 2.19; Jo 13.18
5. Aqueles da humanidade que são predestinados para a vida, Deus, antes da fundação do mundo, de acordo com o Seu propósito eterno e imutável, e o secreto conselho e beneplácito de Sua vontade, os escolheu em Cristo, para a glória eterna, por Sua pura livre graça e amor,¹¹ não por qualquer outra coisa na criatura, como condições ou causas que O movessem a isso.¹²
11 Ef 1.4,9,11; Rm 8.30; 2Tm 1.9; 1Ts 5.9 | 12 Rm 9.13,16; Ef 2.5,12
6. Assim como Deus destinou os eleitos para a glória, assim também, pelo propósito eterno e mui livre de Sua vontade, preordenou todos os meios para isso.¹³ Portanto, aqueles que são eleitos, estando caídos em Adão, são remidos por Cristo,¹⁴ são eficazmente chamados para a fé em Cristo pelo Seu Espírito, que opera no tempo devido; são justificados, adotados, santificados¹⁵ e preservados pelo Seu poder por meio da fé para a salvação.¹⁶ Nem são quaisquer outros redimidos por Cristo, ou eficazmente chamados, justificados, adotados, santificados e salvos, senão somente os eleitos.¹⁷
13 1Pe 1.2; 2Ts 2.13 | 14 1Ts 5.9-10 | 15 Rm 8.30; 2Ts 2.13 | 16 1Pe 1.5 | 17 Jo 10.26, 17.9, 6.64
7. A doutrina deste elevado mistério da predestinação deve ser tratada com especial prudência e cuidado, para que os homens, atendendo à vontade de Deus revelada em Sua Palavra, e prestando obediência a esta, possam, a partir da certeza do seu chamado eficaz, certificar-se de sua eleição eterna.¹⁸ Portanto, esta doutrina deve motivar louvor,¹⁹ reverência e admiração a Deus; e humildade,²⁰ diligência e consolação abundante para todos os que sinceramente obedecem ao Evangelho.²¹
18 1Ts 1.4-5; 2Pe 1.10 | 19 Ef 1.6; Rm 11.33 | 20 Rm 11.5,6,20 | 21 Lc 10.201. No princípio aprouve a Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo,¹ para a manifestação da glória do Seu eterno poder,² sabedoria e bondade, criar ou fazer o mundo, e todas as coisas nele, sejam visíveis ou invisíveis, no espaço de seis dias, e tudo muito bom.³
1 Jo 1.2-3; Hb 1.2; Jó 26.13 | 2 Rm 1.20 | 3 Cl 1.16; Gn 1.31
2. Após Deus haver feito todas as outras criaturas, Ele criou o homem, macho e fêmea,⁴ com almas racionais e imortais,⁵ e os adequou perfeitamente à vida para Deus, para o que eles foram criados, tendo sido feitos segundo a imagem de Deus, em conhecimento, retidão e verdadeira santidade;⁶ tendo a lei de Deus escrita em seus corações,⁷ e poder para cumpri-la; e ainda assim, estavam sob a possibilidade de transgressão, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, que era sujeita à mudança.⁸
4 Gn 1.27 | 5 Gn 2.7 | 6 Ec 7.29; Gn 1.26 | 7 Rm 2.14-15 | 8 Gn 3.6
3. Além dessa lei escrita em seus corações, eles receberam a ordem de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal;⁹ de forma que enquanto eles obedeceram a este preceito foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio sobre as criaturas.¹⁰
9 Gn 2.17 | 10 Gn 1.26,281. Deus, o bom Criador de todas as coisas, em Seu infinito poder e sabedoria, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as criaturas,¹ e coisas, desde a maior até a menor,² por Sua mui sábia e santa providência, para o fim para o qual foram criadas, segundo a Sua infalível presciência, e o livre e imutável conselho de Sua própria vontade, para o louvor da glória de Sua sabedoria, poder, justiça, infinita bondade e misericórdia.³
1 Hb 1.3; Jó 38.11; Is 46.10-11; Sl 135.6 | 2 Mt 10.29-31 | 3 Ef 1.11
2. Embora em relação à presciência e ao decreto de Deus, a causa primeira, todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente,⁴ de forma que nada acontece por acaso, ou sem a Sua providência;⁵ contudo, pela mesma providência, Ele ordena que elas aconteçam de acordo com a natureza das causas secundárias, seja necessária, livre ou contingentemente.⁶
4 At 2.23 | 5 Pv 16.33 | 6 Gn 8.22
3. Deus, em Sua providência ordinária, faz o uso de meios,⁷ ainda assim, é livre para operar sem,⁸ acima⁹ e contra eles,¹⁰ como Lhe aprouver.
7 At 27.31,44; Is 55.10-11 | 8 Os 1.7 | 9 Rm 4.19-21 | 10 Dn 3.27
4. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, tanto manifestam-se em Sua providência, na qual Seu conselho determinado se estende mesmo até a primeira Queda, e a todas as outras ações pecaminosas tanto de anjos quanto de homens;¹¹ e não por meio de mera permissão, os quais Ele também, mui sábia e poderosamente delimita, e de forma variada ordena e governa¹² em uma multiforme dispensação, para os Seus próprios santos fins;¹³ ainda assim, de forma que a pecaminosidade desses atos procede apenas da criatura, e não de Deus; que sendo santíssimo e justíssimo, não é, nem pode ser o autor ou aprovador do pecado.¹⁴
11 Rm 11.32-34; 2Sm 24.1; 1Cr 21.1 | 12 2Rs 19.28; Sl 76.10 | 13 Gn 1.20; Is 10.6,7,12 | 14 Sl 50.21; 1Jo 2.16
5. O Deus mui sábio, justo e gracioso, frequentemente deixa, por algum tempo, Seus próprios filhos em diversas tentações e na corrupção dos seus próprios corações, para castigá-los pelos seus pecados anteriores ou fazer-lhes conhecer o poder oculto da corrupção e engano de seus corações, para que eles sejam humilhados; e para elevá-los a uma dependência mais íntima e constante de Seu próprio auxílio, e para torná-los mais vigilantes contra todas as futuras ocasiões de pecado, e para outros santos e justos fins.¹⁵ De forma que seja o que for que ocorra com todos os Seus eleitos é por Sua designação, para a Sua glória e para o bem deles.¹⁶
15 2Cr 32.25,26,31; 2Co 12.7-9 | 16 Rm 8.28
6. Quanto àqueles homens perversos e ímpios, a quem Deus, como o justo Juiz, por pecados anteriores, cega e endurece;¹⁷ deles, Ele não apenas retém a Sua graça, pela qual eles poderiam ser iluminados em seus entendimentos e forjados em seus corações;¹⁸ mas às vezes também lhes retira os dons que eles tinham;¹⁹ e os expõe a situações de forma que a corrupção deles se torna em ocasiões de pecado;²⁰ e, além disso, entrega-lhes às suas próprias concupiscências, às tentações do mundo e ao poder de Satanás;²¹ de maneira que eles se endurecem, sob aqueles meios que Deus usa para quebrantar os outros.²²
17 Rm 1.24-26,28; 11.7-8 | 18 Dt 29.4 | 19 Mt 13.12 | 20 Dt 2.30; 2Rs 8.12-13 | 21 Sl 81.11-12; 2Ts 2.10-12 | 22 Êx 8.15,32; Is 6.9-10; 1Pe 2.7-8
7. Assim como a providência de Deus, em geral, atinge todas as criaturas, assim também, de uma forma mui especial, Ele cuida de Sua Igreja, e dispõe de todas as coisas para o bem dela.²³
23 1Tm 4.10; Am 9.8-9; Is 43.3-51. Deus criou o homem justo e perfeito, e lhe deu uma lei justa, que seria para a vida se ele a tivesse guardado, ou para morte, se a desobedecesse.¹ Porém o homem não manteve por muito tempo a sua honra. Satanás valeu-se da astúcia da serpente para seduzir Eva, em seguida, esta seduziu a Adão, que, sem qualquer compulsão, deliberadamente transgrediram a lei de sua criação, e a ordem dada a eles, de não comer o fruto proibido,² do que Deus foi servido permitir este pecado deles, de acordo com Seu conselho sábio e santo, havendo determinado ordená-lo para a Sua própria glória.
1 Gn 2.16-17 | 2 Gn 3.12-13; 2Co 11.3
2. Nossos primeiros pais, por este pecado, decaíram de sua retidão original e da comunhão com Deus, e nós neles, e por isso a morte veio sobre todos:³ todos nos tornamos mortos em pecado⁴ e totalmente corrompidos em todas as faculdades e partes da alma e do corpo.⁵
3 Rm 3.23 | 4 Rm 5.12, etc. | 5 Tt 1.15; Gn 6.5; Jr 17.9; Rm 3.10-19
3. Sendo eles os ancestrais e, pelo desígnio de Deus, os representantes de toda humanidade, a culpa do pecado foi imputada à toda a sua posteridade, e a corrupção natural passou a todos os seus descendentes que deles procedem por geração ordinária.⁶ Sendo estes agora concebidos em pecado,⁷ e por natureza filhos da ira,⁸ escravos do pecado, sujeitos à morte⁹ e a todas as outras misérias espirituais, temporais e eternas, a menos que o Senhor Jesus os liberte.¹⁰
6 Rm 5.12-19; 1Co 15.21,22,45,49 | 7 Sl 51.5; Jó 14.4 | 8 Ef 2.3 | 9 Rm 6.20, 5.12 | 10 Hb 2.14-15; 1Ts 1.10
4. Desta corrupção original pela qual ficamos totalmente indispostos, incapacitados e adversos a todo o bem, e inteiramente inclinados a todo o mal,¹¹ é que procedem todas as transgressões atuais.¹²
11 Rm 8.7; Cl 1.21 | 12 Tg 1.14-15; Mt 15.19
5. A corrupção da natureza persiste durante esta vida naqueles que são regenerados;¹³ e, embora ela seja perdoada e mortificada através de Cristo, todavia tanto ela mesma como seus primeiros impulsos são verdadeira e propriamente pecado.¹⁴
13 Rm 7.18,23; Ec 7.20; 1Jo 1.8 | 14 Rm 7.23-25; Gl 5.171. A distância entre Deus e a criatura é tão grande, que, embora as criaturas racionais Lhe devam obediência como seu Criador, nunca poderiam ter alcançado a recompensa da vida, senão por alguma condescendência voluntária da parte de Deus, que Ele Se agrada em expressar por meio de aliança.¹
1 Lc 17.10; Jó 35.7-8
2. Ademais, tendo o homem trazido a si mesmo a maldição da lei, por sua Queda, aprouve ao Senhor fazer um Pacto de Graça,² no qual Ele oferece livremente aos pecadores a vida e a salvação por meio de Jesus Cristo, exigindo deles a fé nEle, para que eles sejam salvos;³ e prometendo dar a todos os que são ordenados para a vida eterna, o Seu Espírito Santo, para torná-los dispostos e capazes de crer.⁴
2 Gn 2.17; Gl 3.10; Rm 3.20-21 | 3 Rm 8.3; Mc 16.15-16; Jo 3.16 | 4 Ez 36.26-27; Jo 6.44-45; Sl 110.3
3. Esta Aliança é revelada no Evangelho; primeiramente a Adão na promessa de salvação pela semente da mulher,⁵ e depois por etapas sucessivas, até que a sua plena revelação foi completada no Novo Testamento;⁶ e é fundada naquela transação da eterna Aliança que houve entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos;⁷ e é somente pela graça desta Aliança que todos da caída posteridade de Adão que já foram salvos, obtiveram a vida e a bem-aventurada imortalidade, o homem é agora totalmente incapaz de ser aceito por Deus naqueles termos em que Adão permanecia em seu estado de inocência.⁸
5 Gn 3.15 | 6 Hb 1.1 | 7 2Tm 1.9; Tt 1.2 | 8 Hb 11.6,13; Rm 4.1-2, etc.; At 4.12; Jo 8.561. Aprouve a Deus, em Seu eterno propósito, e de acordo com o Pacto estabelecido entre ambos, escolher e ordenar o Senhor Jesus, Seu Filho unigênito, para ser o Mediador entre Deus e os homens,¹ o Profeta,² Sacerdote³ e Rei;⁴ a Cabeça e Salvador da Igreja,⁵ o herdeiro de todas as coisas,⁶ e Juiz do mundo;⁷ a quem, desde toda a eternidade, deu um povo para ser Sua posteridade e para ser por Ele, no tempo, remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.⁸
1 Is 42.1; 1Pe 1.19-20 | 2 At 3.22 | 3 Hb 5.5-6 | 4 Sl 2.6; Lc 1.33 | 5 Ef 1.22-23 | 6 Hb 1.2 | 7 At 17.31 | 8 Is 53.10; Jo 17.6; Rm 8.30
2. O Filho de Deus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, o resplendor da glória do Pai, da mesma substância e igual a Ele; Quem criou o mundo, Quem sustenta e governa todas as coisas que Ele fez, quando chegou a plenitude dos tempos, tomou sobre Si a natureza humana, com todas as propriedades essenciais e fraquezas comuns,⁹ embora sem pecado;¹⁰ foi concebido pelo Espírito Santo, no ventre da Virgem Maria, o Espírito Santo desceu sobre ela, e o poder do Altíssimo a envolveu; e assim foi feito de uma mulher, da tribo de Judá, da descendência de Abraão e Davi, segundo as Escrituras;¹¹ para que duas naturezas inteiras, perfeitas e distintas, fossem inseparavelmente unidas em uma só Pessoa, sem conversão, composição ou confusão. Esta Pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mas um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem.¹²
9 Jo 1.14; Gl 4.4 | 10 Rm 8.3; Hb 2.14,16,17; 4.15 | 11 Mt 1.22-23 | 12 Lc 1.27,31,35; Rm 9.5; 1Tm 2.5
3. O Senhor Jesus em Sua natureza humana assim unida à Divina na Pessoa do Filho, foi santificado e ungido com o Espírito Santo sobremaneira;¹³ tendo em Si todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento,¹⁴ em Quem aprouve a Deus que toda a plenitude habitasse,¹⁵ a fim de que sendo santo, inocente, imaculado,¹⁶ e cheio de graça e de verdade,¹⁷ Ele pudesse estar plenamente qualificado para exercer o ofício de um Mediador e Fiador.¹⁸ Este ofício Ele não tomou para Si por conta própria, mas para este foi nomeado por Seu Pai;¹⁹ que colocou todo o poder e juízo em Sua mão, e Lhe ordenou que os exercesse.²⁰
13 Sl 45.7; At 10.38; Jo 3.34 | 14 Cl 2.3 | 15 Cl 1.19 | 16 Hb 7.26 | 17 Jo 1.14 | 18 Hb 7.22 | 19 Hb 5.5 | 20 Jo 5.22,27; Mt 28.18; At 2.36
4. Este ofício o Senhor Jesus empreendeu mui voluntariamente,²¹ para que pudesse exercê-lo, foi feito sujeito à Lei,²² que Ele cumpriu perfeitamente e suportou o castigo que nos era devido, que nós deveríamos ter recebido e sofrido.²³ E foi feito pecado e maldição por nossa causa,²⁴ suportando as mais cruéis aflições em Sua alma e os sofrimentos mais dolorosos em Seu corpo;²⁵ foi crucificado e morreu; e ficou em estado de morte, mas não viu a corrupção.²⁶ No terceiro dia Ele ressuscitou dentre os mortos,²⁷ com o mesmo corpo no qual Ele sofreu;²⁸ com o qual também Ele subiu ao Céu,²⁹ e lá está assentado à destra do Pai, fazendo intercessão;³⁰ e voltará para julgar homens e anjos, no fim do mundo.³¹
21 Sl 40.7-8; Hb 10.5-10; Jo 10.18 | 22 Gl 4.4; Mt 3.15 | 23 Gl 3.13; Is 53.6; 1Pe 3.18 | 24 2Co 5.21 | 25 Mt 26.37-38; Lc 22.44; Mt 27.46 | 26 At 13.37 | 27 1Co 15.3-4 | 28 Jo 20.25,27 | 29 Mc 16.19; At 1.9-11 | 30 Rm 8.34; Hb 9.24 | 31 At 10.42; Rm 14.9-10; At 1.11; 2Pe 2.4
5. O Senhor Jesus, pela Sua perfeita obediência e sacrifício de Si mesmo, que Ele, pelo Espírito eterno, uma vez ofereceu a Deus, satisfez plenamente a justiça de Deus;³² obteve a reconciliação e adquiriu uma herança eterna no reino dos Céus, para todos quantos foram dados a Ele pelo Pai.³³
32 Hb 9.14; 10.14; Rm 3.25-26 | 33 Jo 17.2; Hb 9.15
6. Embora o preço da redenção não tenha sido realmente pago por Cristo senão depois da Sua encarnação, contudo a virtude, a eficácia e os benefícios dela foram comunicados aos eleitos, em todas as épocas sucessivamente desde o princípio do mundo, nas, e através das, promessas, tipos e sacrifícios em que Cristo foi revelado, e que O apontavam como a semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente,³⁴ e como o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo,³⁵ sendo o mesmo ontem, hoje e para sempre.³⁶
34 1Co 4.10; Hb 4.2; 1Pe 1.10-11 | 35 Ap 13.8 | 36 Hb 13.8
7. Cristo, na obra da mediação, age de acordo com ambas as naturezas; cada uma delas atuando como lhe é próprio. Mesmo assim, em razão da unidade da Pessoa, aquilo que é próprio de uma natureza, às vezes, na Escritura, é atribuído à Pessoa de Cristo denominada pela outra natureza.³⁷
37 Jo 3.13; At 20.28
8. Cristo certamente aplica e comunica eficazmente a redenção eterna, para todos quantos Ele a obteve, fazendo intercessão por eles;³⁸ unindo-os a Si mesmo por Seu Espírito; revelando-lhes, na e pela Sua Palavra, o mistério da salvação, persuadindo-os a crer e a obedecer,³⁹ governando seus corações pelo Seu Espírito⁴⁰ e por Sua Palavra, e vencendo todos os inimigos deles, por Sua onipotência e sabedoria,⁴¹ da maneira e pelos meios mais conformes com a Sua admirável e inescrutável dispensação; e tudo isso por livre e absoluta graça, sem qualquer precondição de neles ter sido vista de antemão uma busca pela redenção.⁴²
38 Jo 6.37; 10.15-16; 17.9; Rm 5.10 | 39 Jo 17.6; Ef 1.9; 1Jo 5.20 | 40 Rm 8.9,14 | 41 Sl 110.1; 1Co 15.25-26 | 42 Jo 3.8; Ef 1.8
9. Este ofício de Mediador entre Deus e os homens cabe exclusivamente a Cristo, que é o Profeta, Sacerdote e Rei da Igreja de Deus; e isto não pode ser no todo, ou em qualquer parte, transferido de Cristo para qualquer outro.⁴³
43 1Tm 2.5
10. Este número e ordem de ofícios são necessários. Precisamos de Seu ofício profético,⁴⁴ por causa de nossa ignorância. Por causa de nossa alienação de Deus, e da imperfeição de nossos melhores serviços, nós necessitamos de Seu ofício sacerdotal para nos reconciliar e apresentar aceitáveis a Deus.⁴⁵ E no que diz respeito à nossa aversão e incapacidade absoluta de converter-nos a Deus, e para o nosso resgate e segurança contra nossos adversários espirituais, precisamos de Seu ofício real para nos convencer, subjugar, atrair, sustentar, libertar e preservar para o Seu reino celestial.⁴⁶
44 Jo 1.18 | 45 Cl 1.21; Gl 5.17 | 46 Jo 16.8; Sl 110.3; Lc 1.74-751. Deus dotou a vontade do homem com tal liberdade natural e poder de ação em escolha, que ela não é nem forçada, nem predeterminada para o bem ou o mal por qualquer necessidade da natureza.¹
1 Mt 17.12; Tg 1.14; Dt 30.19
2. O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus;² mas ainda assim, era instável, de forma que ele podia cair deste estado.³
2 Ec 7.29 | 3 Gn 3.6
3. O homem, por meio de sua queda em um estado de pecado, perdeu completamente todo o poder da vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação;⁴ assim como um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto em pecado,⁵ não é capaz, por sua própria força, de converter-se ou preparar-se para isso.⁶
4 Rm 5.6; 8.7 | 5 Ef 2.1,5 | 6 Tt 3.3-5; Jo 6.44
4. Quando Deus converte um pecador e o transporta para o estado de graça, Ele o liberta de sua natural escravidão ao pecado⁷ e, por Sua graça, o habilita a livremente querer e fazer aquilo que é espiritualmente bom;⁸ ainda assim, em razão de sua corrupção remanescente, ele não o faz perfeitamente, nem apenas deseja o que é bom, mas também o que é mau.⁹
7 Cl 1.13; Jo 8.36 | 8 Fp 2.13 | 9 Rm 7.15,18,19,21,23
5. A vontade do homem é feita imutável e perfeitamente livre somente para o bem, apenas no estado de glória.¹⁰
10 Ef 4.131. Aqueles a quem Deus predestinou para a vida, a Ele apraz, em Seu tempo determinado e aceitável, chamar eficazmente,¹ por Sua Palavra e Espírito, do estado natural de pecado e morte no qual eles estão por natureza, para a graça e a salvação por Jesus Cristo.² Isto Ele faz, iluminando suas mentes de maneira espiritual e salvífico, para que entendam as coisas de Deus,³ tirando-lhes o coração de pedra e dando-lhes um coração de carne;⁴ renovando as suas vontades, e por Sua onipotência, predispondo-os para o bem e atraindo-os irresistivelmente para Jesus Cristo;⁵ no entanto, eles vêm a Cristo mui livremente, sendo para isso dispostos pela Sua graça.⁶
1 Rm 8.30, 11.7; Ef 1.10-11; 2Ts 2.13-14 | 2 Ef 2.1-6 | 3 At 26.18; Ef 1.17-18 | 4 Ez 36.26 | 5 Dt 30.6; Ez 36.27; Ef 1.19 | 6 Sl 110.3; Ct 1.4
2. Este chamado eficaz é somente por livre e especial graça de Deus e não provém de qualquer coisa prevista no homem, e nem de algum poder ou agência da criatura,⁷ sendo esta totalmente passiva nisso, estando morta em pecados e transgressões, até que, sendo vivificada e renovada pelo Espírito Santo,⁸ é feita capaz de corresponder a ela, e a receber a graça oferecida e comunicada nela. Para isso é necessário um poder que de modo nenhum é menor do que aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos.⁹
7 2Tm 1.9; Ef 2.8 | 8 1Co 2.14; Ef 2.5; Jo 5.25 | 9 Ef 1.19-20
3. As crianças eleitas que morrem na infância são regeneradas e salvas por Cristo, através do Espírito,¹⁰ que opera quando, onde e como Lhe agrada.¹¹ Do mesmo modo são salvas todas as pessoas eleitas incapazes de serem chamadas exteriormente, pelo ministério da Palavra.
10 Jo 3.3,5,6 | 11 Jo 3.8
4. Outros não-eleitos, embora possam ser chamados pelo ministério da Palavra, e tenham algumas das operações comuns do Espírito,¹² contudo não sendo eficazmente atraídos pelo Pai, eles nem querem e nem podem verdadeiramente vir a Cristo e, portanto, não podem ser salvos;¹³ muito menos poderão ser salvos os que não seguem a Religião Cristã, por mais diligentes que sejam em conformar suas vidas à luz da natureza e regras da religião que professam.¹⁴
12 Mt 22.14, 13.20-21; Hb 6.4-5 | 13 Jo 6.44,45,65; 1Jo 2.24-25 | 14 At 4.12; Jo 4.22, 17.31. Aqueles a quem Deus chama eficazmente, Ele também livremente justifica,¹ não por meio da infusão de justiça neles, mas por perdoar os seus pecados e por considerar e aceitar as suas pessoas como justos;² não por qualquer coisa neles operada ou por eles feita, mas somente por causa de Cristo;³ não lhes imputando como sua justiça a própria fé, o ato de crer, ou qualquer outra obediência evangélica, mas pela imputação da obediência ativa de Cristo a toda a Lei, e obediência passiva em Sua morte por Sua completa e única justiça pela fé;⁴ fé esta que eles não têm de si mesmos, pois ela é um dom de Deus.⁵
1 Rm 3.24, 8.30 | 2 Rm 4.5-8; Ef 1.7 | 3 1Co 1.30-31; Rm 5.17-19 | 4 Fp 3.8-9; Ef 2.8-10 | 5 Jo 1.12; Rm 5.17
2. A fé, assim recebendo a Cristo e descansando nEle e em Sua justiça, é o único instrumento de justificação;⁶ ainda assim, ela não está sozinha na pessoa justificada, mas sempre encontra-se acompanhada de todas as outras graças salvíficas, e não é uma fé morta, mas uma fé que opera pelo amor.⁷
6 Rm 3.28 | 7 Gl 5.6; Tg 2.17,22,26
3. Cristo, por Sua obediência e morte, pagou plenamente a dívida de todos os que são assim justificados, e pelo sacrifício de Si mesmo, no sangue de Sua cruz, sujeitando-Se no lugar deles à penalidade a eles devida, fez uma satisfação apropriada, real e plena à justiça de Deus em nome deles.⁸ No entanto, isso acontece na medida em que Ele foi dado pelo Pai para eles, e Sua obediência e satisfação são aceitas em seu lugar, e ambos livremente, não por qualquer coisa neles.⁹ A justificação deles acontece apenas por livre graça, de forma que tanto a exata justiça quanto a rica graça de Deus são glorificadas na justificação dos pecadores.¹⁰
8 Hb 10.14; 1Pe 1.18-19; Is 53.5-6 | 9 Rm 8.32; 2Co 5.21 | 10 Rm 3.26; Ef 1.6-7, 2.7
4. Deus, desde toda a eternidade, decretou justificar todos os eleitos;¹¹ e Cristo, na plenitude do tempo, morreu pelos pecados deles e ressuscitou para a sua justificação;¹² no entanto, eles não são justificados pessoalmente, até que o Espírito Santo, em devido tempo, efetivamente, aplica-lhes a Cristo.¹³
11 Gl 3.8; 1Pe 1.2; 1Tm 2.6 | 12 Rm 4.25 | 13 Cl 1.21-22; Tt 3.4-7
5. Deus continua a perdoar os pecados daqueles que são justificados;¹⁴ e embora eles nunca possam cair do estado de justificação,¹⁵ contudo eles podem, por seus pecados, cair no desagrado paternal de Deus,¹⁶ e nesta condição eles usualmente não têm a luz de Sua face restaurada a eles, até que se humilhem, confessem seus pecados, peçam perdão e renovem sua fé e arrependimento.¹⁷
14 Mt 6.12; 1Jo 1.7,9 | 15 Jo 10.28 | 16 Sl 89.31-33 | 17 Sl 32.5; Sl 51; Mt 26.75
6. A justificação dos crentes sob o Antigo Testamento era, em todos estes aspectos, uma e a mesma com a justificação dos crentes sob o Novo Testamento.¹⁸
18 Gl 3.9; Rm 4.22-241. A todos quantos são justificados em Seu único Filho, Jesus Cristo, e, por causa dEle, Deus é servido de fazer participantes da graça da adoção,¹ por esta graça eles são recebidos no número dos filhos de Deus² e gozam da liberdade e privilégios de filhos de Deus;³ recebem sobre si o nome de Deus; recebem o Espírito de adoção;⁴ têm acesso ao trono da graça com confiança; são habilitados a clamar: “Aba, Pai”;⁵ são tratados com compaixão,⁶ protegidos,⁷ providos⁸ e por Ele corrigidos, como por um Pai;⁹ porém, jamais são lançados fora,¹⁰ pois estão selados para o dia da redenção,¹¹ e herdam as promessas, na qualidade de herdeiros da salvação eterna.¹²
1 Ef 1.5; Gl 4.4-5 | 2 Jo 1.12; Rm 8.17 | 3 2Co 6.18; Ap 3.12 | 4 Rm 8.15 | 5 Gl 4.6; Ef 2.18 | 6 Sl 103.13 | 7 Pv 14.26; 1Pe 5.7 | 8 Hb 12.6 | 9 Is 54.8-9 | 10 Lm 3.31 | 11 Ef 4.30 | 12 Hb 1.14, 6.121. Aqueles que são unidos a Cristo, eficazmente chamados e regenerados, tendo um novo coração e um novo espírito criados neles, através da virtude da morte e ressurreição de Cristo, são também santificados real e pessoalmente¹ por meio da mesma virtude, pela Sua Palavra e Espírito que habita neles;² o domínio de todo o corpo do pecado é destruído,³ e as várias concupiscências são cada vez mais enfraquecidas e mortificadas,⁴ e eles mais e mais vivificados e fortalecidos em todas as graças salvíficas⁵ para a prática da verdadeira santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor.⁶
1 At 20.32; Rm 6.5-6 | 2 Jo 17.17; Ef 3.16-19; 1Ts 5.21-23 | 3 Rm 6.14 | 4 Gl 5.24 | 5 Cl 1.11 | 6 2Co 7.1; Hb 12.14
2. Esta santificação se dá no homem todo,⁷ ainda que imperfeita nesta vida, portanto, ainda permanecem alguns resíduos de corrupção em todas as partes,⁸ de onde nasce uma guerra contínua e irreconciliável, a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne.⁹
7 1Ts 5.23 | 8 Rm 7.18,23 | 9 Gl 5.17; 1Pe 2.11
3. Nesta guerra, embora a corrupção remanescente por um tempo possa grandemente prevalecer,¹⁰ contudo, através do suprimento contínuo de força do Espírito santificador de Cristo, a parte regenerada triunfa,¹¹ e assim os santos crescem em graça, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus, esforçando-se para viver uma vida celestial, em obediência evangélica a todos os mandamentos que Cristo, como Cabeça e Rei, em Sua Palavra prescreve a eles.¹²
10 Rm 7.23 | 11 Rm 6.14 | 12 Ef 4.15-16; 2Co 3.18, 7.11. A graça da fé, pela qual os eleitos são habilitados a crer para a salvação de suas almas, é obra do Espírito de Cristo em seus corações,¹ e é ordinariamente operada pelo ministério da Palavra;² e por este também, e pela administração do Batismo e da Ceia do Senhor, pela oração, e por outros meios prescritos por Deus, é aumentada e fortalecida.³
1 2Co 4.13; Ef 2.8 | 2 Rm 10.14,17 | 3 Lc 17.5; 1Pe 2.2; At 20.32
2. Por esta fé, o Cristão crê ser verdade tudo quanto é revelado na Palavra, segundo a autoridade do próprio Deus,⁴ e também apreende uma excelência nela acima de todos os outros escritos e todas as demais coisas do mundo:⁵ por ela demonstrar a glória de Deus em Seus atributos, a excelência de Cristo em Sua natureza e ofícios, e o poder e a plenitude do Espírito Santo em Suas obras e operações. Reconhecendo tudo isso, o Cristão é capacitado a confiar sua alma irrestritamente à verdade assim crida;⁶ e também age em conformidade com aquilo que cada passagem contém em particular, prestando obediência aos mandamentos,⁷ tremendo diante das ameaças⁸ e abraçando as promessas de Deus para esta vida, e para a que está por vir.⁹ Entretanto os principais atos de fé salvífica possuem relação imediata com Cristo: aceitar, receber e confiar exclusivamente nEle para a justificação, santificação e a vida eterna, em virtude do Pacto da Graça.¹⁰
4 At 24.14 | 5 Sl 19.7-10, 69.72 | 6 2Tm 1.12 | 7 Jo 15.14 | 8 Is 116.2 | 9 Hb 11.13 | 10 Jo 1.12; At 16.31; Gl 2.20; At 15.11
3. Esta fé, embora possa ser diferente em graus, e possa ser fraca ou forte.¹¹ Ainda assim como as demais graças salvíficas, mesmo se for pequeníssima, ela é de um tipo e de uma natureza diferentes, como acontece com todas as demais graças salvíficas, daquela fé e da graça comum que os seguidores meramente professos possuem.¹² Por isso, mesmo que seja muitas vezes atacada e enfraquecida, ainda assim, alcança a vitória;¹³ crescendo em muitos para uma plena segurança por meio de Cristo,¹⁴ que é o Autor e também o Consumador da nossa fé.¹⁵
11 Hb 5.13-14; Mt 6.30; Rm 4.19-20 | 12 2Pe 1.1 | 13 Ef 6.16; 1Jo 5.4-5 | 14 Hb 6.11-12; Cl 2.2 | 15 Hb 12.21. Aqueles eleitos que são convertidos em anos maduros, tendo vivido algum tempo em estado natural, e por isso, servido a diversas concupiscências e prazeres, Deus em seu chamado eficaz concede-lhes o arrependimento para a vida.¹
1 Tt 3.2-5
2. Considerando que não há ninguém que faça o bem e não peque,² e que o melhor dos homens, através do poder e sedução da corrupção que habita nele, com a prevalência das tentações, pode cair em grandes pecados e provocações, Deus tem, no Pacto da Graça, providenciado misericordiosamente que os crentes que assim pecaram e caíram, sejam renovados através do arrependimento para a salvação.³
2 Ec 7.20 | 3 Lc 22.31-32
3. Este arrependimento salvífico é uma graça evangélica,⁴ pelo qual uma pessoa, sendo pelo Espírito Santo feita sensível aos múltiplos males do seu pecado, pela fé em Cristo, humilha-se por aquele com a tristeza segundo Deus, ódio ao pecado e autoaborrecimento,⁵ orando por perdão e pela força da graça, com um propósito e esforço, por suprimentos do Espírito, para andar diante de Deus agradando-Lhe em todas as coisas.⁶
4 Zc 12.10; At 11.18 | 5 Ez 36.31; 2Co 7.11 | 6 Sl 119.6,128
4. Como o arrependimento deve continuar por todo o curso de nossas vidas, em consideração ao corpo da morte, e as ações do mesmo, por isso, é dever de todo homem arrepender-se de seus pecados particulares e conhecidos, individualmente.⁷
7 Lc 19.8; 1Tm 1.13,15
5. Tal é a provisão que Deus tem feito por Cristo, no Pacto da Graça, para a preservação dos crentes para a salvação, que, embora não haja pecado tão pequeno que não mereça a condenação;⁸ contudo não há pecado tão grande que possa trazer condenação sobre aqueles que verdadeiramente se arrependem;⁹ o que torna necessária a constante pregação sobre o arrependimento.
8 Rm 6.23 | 9 Is 1.16-18, 55.71. Boas obras são somente aquelas que Deus ordenou em Sua Santa Palavra,¹ e não as que, sem autoridade dela, são realizadas por homens movidos por um zelo cego ou sob qualquer outro pretexto de boa intenção.²
1 Mq 6.8; Hb 13.21 | 2 Mt 15.9; Is 29.13
2. Estas boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são os frutos e as evidências de uma fé viva e verdadeira,³ e por elas os crentes manifestam a sua gratidão,⁴ fortalecem a sua confiança,⁵ edificam os seus irmãos, adornam a profissão do Evangelho,⁶ fazem calar os adversários e glorificam a Deus,⁷ de cuja feitura são, criados em Cristo Jesus para isso mesmo,⁸ a fim de que, tendo o seu fruto para santificação, eles possam ter por fim a vida eterna.⁹
3 Tg 2.18,22 | 4 Sl 116.12-13 | 5 1Jo 2.3,5; 2Pe 1.5-11 | 6 Mt 5.16 | 7 1Tm 6.1; 1Pe 2.15; Fp 1.11 | 8 Ef 2.10 | 9 Rm 6.22
3. Sua capacidade de fazer boas obras não é de modo algum dos próprios crentes, mas provém totalmente do Espírito de Cristo.¹⁰ E para que os crentes possam desempenhar as boas obras, além das graças que já receberam, é necessária uma influência contínua do mesmo Espírito Santo operando neles tanto o querer como o efetuar segundo a Sua boa vontade,¹¹ isso, porém, não significa que eles devem tornar-se negligentes, como se não tivessem a obrigação de cumprirem um dever senão quando movidos de maneira especial pelo Espírito; antes, eles devem ser diligentes em desenvolver a graça de Deus que neles há.¹²
10 Jo 15.4-5 | 11 2Co 3.5; Fp 2.13 | 12 Fp 2.12; Hb 6.11-12; Is 64.7
4. Mesmo aqueles que conseguem prestar a maior obediência nesta vida, estão longe de exceder e fazer mais do que é requerido por Deus, pois eles ainda ficam aquém do muito que, por dever, eles são obrigados a fazer.¹³
13 Jó 9.2-3; Gl 5.17; Lc 17.10
5. Pelas nossas melhores obras não podemos merecer da mão de Deus o perdão de nossos pecados ou a vida eterna, visto ser grande a desproporção que há entre elas e a glória por vir, e a infinita distância que há entre nós e Deus, a Quem não podemos ser úteis por meio delas, nem satisfazê-lO pela dívida dos nossos pecados anteriores;¹⁴ mas quando tivermos feito tudo o que pudermos temos feito somente o nosso dever e somos servos inúteis. Se nossas obras são boas elas procedem do Espírito.¹⁵ Contudo, à medida que elas são desempenhadas por nós, essas obras vão sendo contaminadas e misturadas com tanta fraqueza e imperfeição, que não podem suportar a severidade do julgamento de Deus.¹⁶
14 Rm 3.20; Ef 2.8-9; Rm 4.6 | 15 Gl 5.22-23 | 16 Is 64.6; Sl 43.2
6. Todavia, desde que os crentes, como pessoas, são aceitos por meio de Cristo, as suas obras também são aceitas nEle,¹⁷ não como se fossem nesta vida totalmente inculpáveis e irrepreensíveis diante de Deus; antes, significa que Ele, olhando para eles em Seu Filho, Se agrada de aceitar e recompensar aquilo que é sincero, embora realizado com muitas fraquezas e imperfeições.¹⁸
17 Ef 1.5; 1Pe 1.5 | 18 Mt 25.21,23; Hb 6.10
7. As obras feitas por homens não-regenerados, embora por si mesmas possam ser coisas que Deus ordena, e proveitosas tanto para a pessoa que as faz quanto para outrem;¹⁹ contudo, porque não procedem de um coração purificado pela fé;²⁰ não estão de acordo com a Palavra,²¹ nem são feitas de uma maneira correta, nem com a finalidade correta, a saber, a glória de Deus;²² elas são, portanto, pecaminosas e não podem agradar a Deus, nem tornar uma pessoa apta para receber a graça de Deus;²³ não obstante negligenciá-las é ainda mais pecaminoso e ofensivo a Deus.²⁴
19 2Rs 10.30; 1Rs 21.27,29 | 20 Gn 4.5; Hb 11.4,6 | 21 1Co 13.1 | 22 Mt 6.2,5 | 23 Am 5.21-22; Rm 9.16; Tt 3.5 | 24 Jó 21.14-15; Mt 25.41-431. Aqueles a quem Deus aceitou no Amado, foram eficazmente chamados e santificados pelo Seu Espírito, e receberam o dom da preciosa fé dos Seus eleitos, não podem nem total nem finalmente cair do estado de graça, mas certamente perseverarão até o fim, e serão eternamente salvos, considerando que os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento, pelo que Ele os gera e ainda os alimenta em fé, arrependimento, amor, alegria, esperança e todas as graças do Espírito para a imortalidade;¹ e, apesar de muitas tempestades e inundações surgirem e combaterem contra eles, contudo estas nunca poderão tirá-los dessa Fundação e Rocha, em que pela fé eles estão firmados; não obstante, por causa da incredulidade e das tentações de Satanás, a sensível visão da luz e do amor de Deus podem estar por um tempo nublada e obscurecida para eles,² mas Ele ainda é o mesmo, e eles terão a certeza de estarem guardados pelo poder de Deus para a salvação, onde gozam de sua herança adquirida, eles estão gravados na palma de Suas mãos, e os seus nomes estão escritos no livro da vida desde toda a eternidade.³
1 Jo 10.28-29; Fp 1.6; 2Tm 2.19; 1Jo 2.19 | 2 Sl 89.31-32; 1Co 11.32 | 3 Ml 3.6
2. Esta perseverança dos santos depende, não do seu próprio livre-arbítrio, mas da imutabilidade do decreto da eleição,⁴ que flui a partir do livre e imutável amor de Deus, o Pai; sobre a eficácia do mérito e intercessão de Jesus Cristo; da união com Ele;⁵ da promessa de Deus;⁶ da permanência de Seu Espírito; da semente de Deus dentro deles⁷ e da natureza do Pacto da Graça;⁸ de todas estas coisas vêm a sua certeza e infalibilidade.
4 Rm 8.30, 9.11,16 | 5 Rm 5.9-10; Jo 14.19 | 6 Hb 6.17-18 | 7 1Jo 3.9 | 8 Jr 32.40
3. E embora, eles possam, através das tentações de Satanás e do mundo, da prevalência da corrupção remanescente neles, e da negligência dos meios de sua preservação, cair em pecados graves; e por algum tempo continuar neles,⁹ quando eles assim incorrem no desagrado de Deus e entristecem o Seu Espírito Santo;¹⁰ vindo a ter suas graças e consolos enfraquecidos;¹¹ têm os seus corações endurecidos e as suas consciências feridas;¹² prejudicam e escandalizam os outros e atraem sobre si juízos temporais;¹³ ainda assim, eles renovarão o seu arrependimento e serão preservados pela fé em Jesus Cristo até o fim.¹⁴
9 Mt 26.70,72,74 | 10 Is 64.5,9; Ef 4.30 | 11 Sl 51.10,12 | 12 Sl 32.3-4 | 13 2Sm 12.14 | 14 Lc 22.32,61,621. Embora os que creem temporariamente, e outros homens não-regenerados, possam em vão iludir-se com falsas esperanças e presunções carnais de se acharem no favor de Deus e em estado de salvação; esta esperança deles perecerá,¹ mas quanto aos que verdadeiramente creem no Senhor Jesus, e O amam com sinceridade, procurando andar em toda a boa consciência diante dEle, estes podem, nesta vida, certificar-se de que eles estão em um estado de graça, e podem regozijar-se na esperança da glória de Deus,² esta esperança jamais os envergonhará.³
1 Jó 8.13-14; Mt 7.22-23 | 2 1Jo 2.3, 3.14,18,19,21,24, 5.13 | 3 Rm 5.2,5
2. Esta certeza não é algo meramente conjectural e provável, baseada em uma esperança falível; mas uma infalível segurança de fé,⁴ fundada no sangue e justiça de Cristo revelados no Evangelho,⁵ bem como na evidência interna daquelas graças do Espírito em que as promessas são feitas,⁶ e no testemunho do Espírito de adoção que testifica com os nossos espíritos que somos filhos de Deus,⁷ e, como fruto disso, mantendo o nosso coração humilde e santo.⁸
4 Hb 6.11,19 | 5 Hb 6.17-18 | 6 2Pe 1.4,5,10,11 | 7 Rm 8.15-16 | 8 1Jo 3.1-3
3. Esta segurança infalível não pertence de tal modo à essência da fé, que um verdadeiro crente, antes de possuí-la, não tenha de esperar muito e lutar com muitas dificuldades;⁹ contudo sendo habilitado pelo Espírito a conhecer as coisas que lhe são livremente dadas por Deus, ele pode alcançá-la, sem revelação extraordinária, no uso correto dos meios.¹⁰ E, portanto, é dever de todos empregar toda a diligência para fazer firme a sua vocação e eleição; a fim de que por esse modo, o seu coração possa dilatar-se em paz e gozo no Espírito Santo, em amor e gratidão a Deus, e em força e alegria nos deveres de obediência, estes são os frutos próprios desta segurança,¹¹ a qual está longe de inclinar os homens para o relaxamento.¹²
9 Is 50.10; Sl 88; Sl 77.1-12 | 10 1Jo 4.13; Hb 6.11-12 | 11 Rm 5.1,2,5, 14.17; Sl 119.32 | 12 Rm 6.1-2; Tt 2.11,12,14
4. Os verdadeiros crentes podem ter a certeza da sua salvação abalada, diminuída e interrompida, e isso de diversas maneiras: por negligência na preservação da mesma;¹³ caindo em algum pecado especial que fira a consciência e entristeça o Espírito Santo;¹⁴ por cederem a alguma tentação súbita ou veemente;¹⁵ por Deus retirar de sobre eles a luz da Sua presença, permitindo que mesmo os que O temem caminhem em trevas, que não tenham luz.¹⁶ Contudo, eles nunca ficam destituídos da semente de Deus¹⁷ e da vida da fé,¹⁸ daquele amor a Cristo e aos irmãos, daquela sinceridade de coração e consciência de dever. É a partir destas graças, pela operação do Espírito, que a certeza da salvação pode ser revivificada,¹⁹ no devido tempo; e, mediante elas, os crentes são preservados para não caírem em um desespero total.²⁰
13 Ct 5.2,3,6 | 14 Sl 51.8,12,14 | 15 Sl 116.11; Sl 77.7-8; Sl 31.22 | 16 Sl 30.7 | 17 1Jo 3.9 | 18 Lc 22.32 | 19 Sl 42.5,11 | 20 Lm 3.26-311. Deus deu a Adão uma lei de obediência universal escrita em seu coração, e um particular preceito de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal,¹ a qual Ele obrigou-o e a toda sua posteridade, para pessoal, inteira, exata e perpétua obediência;² prometeu vida sobre o cumprimento, e ameaçou com a morte a violação da mesma; e o dotou com o poder e a capacidade para guardá-la.³
1 Gn 1.27; Ec 7.29 | 2 Rm 10.5 | 3 Gl 3.10,12
2. A mesma lei que primeiramente foi escrita no coração do homem, continuou a ser uma regra perfeita de justiça após a Queda;⁴ e foi entregue por Deus no monte Sinai em Dez Mandamentos e escrita em duas tábuas; os quatro primeiros Mandamentos contêm o nosso dever para com Deus, e os outros seis, nosso dever para com o homem.⁵
4 Rm 2.14-15 | 5 Dt 10.4
3. Além desta lei, comumente chamada de moral, Deus Se agradou em dar ao povo de Israel leis cerimoniais, contendo diversas ordenanças típicas, em parte, de adoração, prefigurando Cristo, Suas graças, ações, sofrimentos e benefícios;⁶ e, em parte, mantendo várias instruções de deveres morais.⁷ Todas as leis cerimoniais, sendo impostas apenas até o tempo da reformação, são por Jesus Cristo, o verdadeiro Messias e único Legislador, que foi dotado com o poder da parte do Pai para este fim, cumpridas e revogadas.⁸
6 Hb 10.1; Cl 2.17 | 7 1Co 5.7 | 8 Cl 2.14,16,17; Ef 2.14,16
4. Para eles, Ele também deu várias leis civis, que expiraram com a nação daquele povo, não obrigando a ninguém em virtude daquela instituição, somente sua equidade geral possui um valor moral.⁹
9 1Co 9.8-10
5. A lei moral obriga para sempre a todos, tanto pessoas justificadas como as demais, à obediência da mesma;¹⁰ e isso não apenas no que diz respeito à matéria nela contida, mas também no que diz respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a deu.¹¹ Nem o Cristo no Evangelho de forma alguma a ab-roga, mas antes confirma esta obrigação.¹²
10 Rm 13.8-10; Tg 2.8,10-12 | 11 Tg 2.10-11 | 12 Mt 5.17-19; Rm 3.31
6. Embora os verdadeiros crentes não estejam sob a lei como um pacto de obras, para serem por ela justificados ou condenados;¹³ contudo esta é de grande utilidade para eles, assim como para os outros; em que, como uma regra de vida, informando-os sobre a vontade de Deus e de seu dever, ela dirige e os obriga a andar em conformidade; descobrindo também as contaminações pecaminosas de sua natureza, corações e vidas; assim como, examinando-se desta maneira, eles podem chegar a mais convicção, humilhação por e ódio contra o pecado;¹⁴ juntamente com uma visão mais clara da necessidade que têm de Cristo e da perfeição da Sua obediência. Ela é, semelhantemente útil para os regenerados, para conter as suas corrupções, pois proíbe o pecado, e as suas ameaças servem para mostrar até mesmo o que os seus pecados merecem, e que aflições nesta vida podem esperar por eles, embora libertados da maldição e do rigor intransigente da lei. Igualmente, as promessas da lei demonstram a aprovação de Deus à obediência e quais bênçãos os homens podem esperar receber se cumprirem a lei; embora não lhes sejam devidas pela lei como um pacto de obras. Assim como um homem faz o bem e evita o mal, porque a lei anima a um, e desencoraja o outro, não é evidência de que ele esteja debaixo da Lei, e não debaixo da Graça.¹⁵
13 Rm 6.14; Gl 2.16; Rm 8.1, 10.4 | 14 Rm 3.20, 7.7, etc. | 15 Rm 6.12-14; 1Pe 3.8-13
7. Nem são os supracitados usos da lei contrários à graça do Evangelho, mas harmoniosamente condizem com ele.¹⁶ O Espírito de Cristo submete e habilita a vontade do homem a fazer voluntária e alegremente o que a vontade de Deus, revelada na lei, requer que seja feito.¹⁷
16 Gl 3.21 | 17 Ez 36.271. O Pacto das Obras foi quebrado pelo pecado, e tornou-se inútil para conduzir à vida, então, Deus Se agradou em desvelar a promessa de Cristo, a semente da mulher, como o meio de chamar os eleitos, gerando neles a fé e o arrependimento.¹ Nesta promessa a essência do Evangelho foi revelada, e é feita eficaz para a conversão e salvação dos pecadores.²
1 Gn 3.15 | 2 Ap 13.8
2. Esta promessa de Cristo, e da salvação por meio dEle, é revelada somente pela Palavra de Deus;³ nem as obras da criação ou providência, com a luz da natureza, desvelam a Cristo, ou a graça por meio dEle, tanto de uma forma geral ou de uma forma obscura;⁴ muito menos os homens destituídos da revelação dEle pela promessa ou Evangelho, devem ser assim habilitados para alcançar a fé salvífica ou arrependimento.⁵
3 Rm 1.17 | 4 Rm 10.14,15,17 | 5 Pv 29.18; Is 25.7; 60.2-3
3. A revelação do Evangelho aos pecadores, feita em diversas épocas e por diversos lugares, com a adição de promessas e preceitos para a obediência requerida nele, em relação às nações e pessoas as quais é concedida, acontece meramente a partir da soberana vontade e beneplácito de Deus;⁶ não sendo acrescentada pela virtude de qualquer promessa de devido aprimoramento das habilidades naturais do homem, pela virtude da luz comum recebida sem esta revelação, o que ninguém jamais fez ou pode assim fazer.⁷ E, portanto, em todas as épocas, a pregação do Evangelho tem sido concedida a pessoas e nações, como a extensão ou limitação do mesmo, em grande variedade, de acordo com o conselho da vontade de Deus.
6 Sl 147.20; At 16.7 | 7 Rm 1.18-32
4. Apesar do Evangelho ser o único meio exterior de revelação de Cristo e da graça salvífica, e é, como tal, para isso abundantemente suficiente; ainda assim, para que os homens que estão mortos em delitos possam nascer de novo, serem vivificados ou regenerados, é necessária uma obra eficaz e invencível do Espírito Santo sobre toda a alma, para produzir neles uma nova vida espiritual,⁸ sem a qual nenhum outro meio será suficiente para a sua conversão a Deus.⁹
8 Sl 110.3; 1Co 2.14; Ef 1.19-20 | 9 Jo 6.44; 2Co 4.4,61. A liberdade que Cristo comprou para os crentes sob o Evangelho consiste em sua liberdade da culpa do pecado, da ira condenatória de Deus e do rigor e maldição da lei;¹ também consiste na libertação do presente século mau,² da escravidão de Satanás,³ do domínio do pecado,⁴ do mal das aflições,⁵ do temor e aguilhão da morte, da vitória da sepultura⁶ e da condenação eterna;⁷ como também em seu livre acesso a Deus, e em prestar-Lhe obediência não por medo servil,⁸ mas por amor filial e mente voluntária.⁹ Tudo isso era comum também aos crentes sob a Lei, no que diz respeito à sua substância;¹⁰ mas sob o Novo Testamento, a liberdade dos Cristãos é ainda mais ampliada em sua liberdade do jugo de uma lei cerimonial, à qual a Igreja Judaica foi submetida; e na maior ousadia de acesso ao trono da graça, e nas comunicações mais plenas do livre Espírito de Deus, do que os crentes sob a Lei ordinariamente participaram.¹¹
1 Gl 3.13 | 2 Gl 1.4 | 3 At 26.18 | 4 Rm 8.3 | 5 Rm 8.28 | 6 1Co 15.54-57 | 7 2Ts 1.10 | 8 Rm 8.15 | 9 Lc 1.73-75; 1Jo 4.18 | 10 Gl 3.9,14 | 11 Jo 7.38-39; Hb 10.19-21
2. Deus é o único Senhor da consciência,¹² e a deixou livre de doutrinas e mandamentos humanos que, em qualquer respeito, são contrários à Sua Palavra, ou não contidos nela;¹³ de modo que, crer em tais doutrinas, ou obedecer a tais mandamentos, por motivo de consciência,¹⁴ equivale a trair a verdadeira liberdade de consciência; e requerer de alguém uma fé implícita, uma obediência absoluta e cega, equivale a destruir a liberdade de consciência, e a razão também.¹⁵
12 Tg 4.12; Rm 14.4 | 13 At 4.19,29; 1Co 7.23; Mt 15.9 | 14 Cl 2.20,22,23 | 15 1Co 3.5; 2Co 1.24
3. Aqueles que, sob pretexto de liberdade Cristã, praticam qualquer pecado ou toleram qualquer concupiscência pecaminosa, com isso tanto deturpam o propósito principal da graça do Evangelho para a sua própria destruição;¹⁶ como também destroem totalmente a finalidade da liberdade Cristã; a qual é, que sendo libertados das mãos de todos os nossos inimigos, possamos servir ao Senhor, sem temor, em santidade e justiça perante Ele, todos os dias das nossas vidas.¹⁷
16 Rm 6.1-2 | 17 Gl 5.13; 2Pe 2.18,211. A luz da natureza mostra que existe um Deus, que tem senhorio e soberania sobre tudo; que Ele é justo, bom e faz bem a todos; e, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido com todo o coração, e com toda a alma e com toda a força.¹ Mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo² e tão limitado por Sua própria vontade revelada, de forma que Ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível ou qualquer outro modo não prescrito nas Sagradas Escrituras.³
1 Jr 10.7; Mc 12.33 | 2 Dt 12.32 | 3 Êx 20.4-6
2. O culto religioso deve ser dado a Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e somente a Ele,⁴ não a anjos, santos ou a qualquer outra criatura,⁵ e desde a Queda, não sem um Mediador;⁶ nem na mediação de qualquer outro senão de Cristo.⁷
4 Mt 4.9-10; Jo 6.23; Mt 28.19 | 5 Rm 1.25; Cl 2.18; Ap 19.10 | 6 Jo 14.6 | 7 1Tm 2.5
3. A oração com ações de graças, sendo uma parte natural da adoração, é por Deus exigida de todos os homens.⁸ Mas, para que possa ser aceita, deve ser feita em nome do Filho,⁹ com a ajuda do Espírito,¹⁰ segundo a Sua vontade,¹¹ com entendimento, reverência, humildade, fervor, fé, amor e perseverança; e, quando na companhia de outros, em uma língua conhecida.¹²
8 Sl 95.1-7, 65.2 | 9 Jo 14.13-14 | 10 Rm 8.26 | 11 1Jo 5.14 | 12 1Co 14.16-17
4. A oração deve ser feita por coisas lícitas, e por todos os tipos de homens vivos, ou que ainda viverão;¹³ mas não pelos mortos,¹⁴ nem por aqueles de quem possa ser conhecido que pecaram o pecado para a morte.¹⁵
13 1Tm 2.1-2; 2Sm 7.29 | 14 2Sm 12.21-23 | 15 1Jo 5.16
5. A leitura das Escrituras,¹⁶ a pregação e a atenção à Palavra de Deus;¹⁷ o ensino e as advertência mútuas em Salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando com graça em nossos corações ao Senhor;¹⁸ bem como a devida administração do Batismo¹⁹ e da Ceia do Senhor,²⁰ são todas partes do culto religioso a Deus, a serem realizadas em obediência a Ele, com entendimento, fé, reverência e temor piedoso; além disso, solene humilhação, com jejuns²¹ e ações de graças em ocasiões especiais devem ser usados de um modo santo e religioso.²²
16 1Tm 4.13 | 17 2Tm 4.2; Lc 8.18 | 18 Cl 3.16; Ef 5.19 | 19 Mt 28.19-20 | 20 1Co 11.26 | 21 Et 4.16; Jl 2.12 | 22 Êx 15.1-19; Sl 107
6. Nem oração, nem qualquer outra parte do culto religioso, é agora, sob o Evangelho, restrita, ou feita mais aceitável devido a qualquer local em que é realizada, ou para o qual é dirigida, mas Deus deve ser adorado em todo lugar, em espírito e em verdade;²³ tanto em famílias particulares²⁴ diariamente,²⁵ e em secreto, cada um por si;²⁶ e assim, mui solenemente em assembleias públicas, que não devem ser descuidadas ou deliberadamente negligenciadas ou abandonadas, quando Deus, pela Sua Palavra e providência, nos conclama a participar delas.²⁷
23 Jo 4.21; Ml 1.11; 1Tm 2.8 | 24 At 10.2 | 25 Mt 6.11; Sl 55.17 | 26 Mt 6.6 | 27 Hb 10.25; At 2.42
7. Pelo desígnio de Deus, há uma lei da natureza que, em geral, uma proporção do tempo seja destinada ao culto a Deus; desta forma, em Sua Palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, válido a todos os homens em todas as eras, Deus particularmente nomeou um dia em sete para um descanso, para ser-Lhe santificado.²⁸ Desde o início do mundo até a ressurreição de Cristo, foi o último dia da semana; e, a partir da ressurreição de Cristo, foi mudado para o primeiro dia da semana, o que é chamado de Dia do Senhor,²⁹ e deve continuar até o fim do mundo como o Sabath Cristão; sendo abolida a observação do último dia da semana.
28 Êx 20.8 | 29 1Co 16.1-2; At 20.7; Ap 1.10
8. O Sabath é assim santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações, e ordenado os seus assuntos comuns de antemão, não apenas observam um santo descanso durante todo o dia a partir de suas próprias obras, palavras e pensamentos sobre suas ocupações e recreações mundanas³⁰; mas também dedicam todo o tempo em exercícios públicos e privados de Seu culto e nos deveres de necessidade e misericórdia.³¹
30 Is 58.13; Ne 13.15-22 | 31 Mt 12.1-131. O juramento lícito é uma parte do culto religioso, no qual a pessoa, jurando em verdade, justiça e juízo, solenemente chama a Deus por testemunha do que assevera,¹ para julgá-lo de acordo com a verdade ou falsidade disso.²
1 Êx 20.7; Dt 10.20; Jr 4.2 | 2 2Cr 6.22-23
2. É somente pelo nome de Deus que os homens devem jurar, e este deve ser usado com todo o santo temor e reverência; pois, jurar em vão ou temerariamente, por esse nome glorioso e terrível, ou jurar por qualquer outra coisa é pecado, e abominável.³ No entanto, como, em matéria de peso e momento, para confirmação da verdade e término de toda contenda, um juramento é autorizado pela Palavra de Deus,⁴ tanto sob o Novo Testamento, bem como sob o Antigo, como um juramento lícito, sendo exigido pela autoridade legal, em tais casos deve ser feito.⁵
3 Mt 5.34,37; Tg 5.12 | 4 Hb 6.16; 2Co 1.23 | 5 Ne 13.25
3. Todo aquele que prestará um juramento, garantido pela Palavra de Deus, deve considerar refletidamente a gravidade de um ato tão solene, e que nesse nada afirme senão o que ele saiba ser a verdade, pois pelos juramentos precipitados, falsos e vãos, o Senhor é provocado, e por eles a terra se lamenta.⁶
6 Lv 19.12; Jr 23.10
4. Um juramento deve ser tomado no sentido claro e óbvio das palavras, sem equívoco ou reserva mental.⁷
7 Sl 24.4
5. Um voto, não deve ser feito a qualquer criatura, mas somente a Deus, é de semelhante natureza que o juramento promissório, e deve ser feito e cumprido com todo cuidado religioso e fidelidade;⁸ mas os votos monásticos que os papistas fazem de celibato perpétuo,⁹ pobreza professa¹⁰ e obediência regular, em vez de serem graus de mais elevada perfeição, não passam de laços supersticiosos e pecaminosos, nos quais nenhum Cristão deve enredar-se.¹¹
8 Sl 76.11; Gn 28.20-22 | 9 1Co 7.2,9 | 10 Ef 4.28 | 11 Mt 19.11. Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo o mundo, ordenou os magistrados civis para que estejam, abaixo dEle, sobre o povo, para a Sua própria glória e para o bem público; e para este fim, os armou com o poder da espada, para defesa e incentivo dos que fazem o bem, e para castigo dos malfeitores.¹
1 Rm 13.1-4
2. É lícito que os Cristãos aceitem e exerçam o ofício de magistrado, quando chamados a isso; e em sua administração, eles devem especialmente manter a justiça e a paz,² segundo todas as leis de cada reino e comunidade, de modo que, para esse efeito, podem legalmente, agora sob o Novo Testamento, empreender guerra em ocasiões justas e necessárias.³
2 2Sm 23.3; Sl 82.3-4 | 3 Lc 3.14
3. Sendo os magistrados civis instituídos por Deus para os fins supracitados; requer-se de nós a obediência, no Senhor, em todas as coisas lícitas ordenadas pelas autoridades, não apenas por causa da punição, mas como dever de consciência.⁴ Devemos suplicar e orar pelos reis e por todos os que estão investidos de autoridade, para que, sob seu governo, vivamos uma vida quieta e sossegada, com toda piedade e honestidade.⁵
4 Rm 13.5-7; 1Pe 2.17 | 5 1Tm 2.1-21. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher. Não é lícito ao homem ter mais de uma esposa, nem à mulher ter mais de um marido, ao mesmo tempo.¹
1 Gn 2.24; Ml 2.15; Mt 19.5-6
2. O casamento foi ordenado para o auxílio mútuo entre marido e mulher,² para a propagação da humanidade por uma sucessão legítima,³ e para a prevenção da impureza.⁴
2 Gn 2.18 | 3 Gn 1.28 | 4 1Co 7.2,9
3. O casamento é lícito para todos os tipos de pessoas, desde que possam dar o seu consentimento racional.⁵ No entanto, é o dever dos Cristãos casarem-se no Senhor.⁶ E, portanto, como professam a verdadeira Religião não devem casar-se com infiéis, ou idólatras; nem devem, como aqueles que são piedosos, estar em jugo desigual, casando-se com os que são ímpios em suas vidas, ou defendam heresia condenável.⁷
5 Hb 13.4; 1Tm 4.3 | 6 1Co 7.39 | 7 Ne 13.25-27
4. Não devem casar-se pessoas entre as quais existam graus de parentesco ou consanguinidade que sejam proibidos na Palavra de Deus.⁸ As uniões incestuosas jamais poderão ser legitimadas por qualquer lei humana ou pelo consentimento das partes, pois não é correto tais pessoas viverem juntas, como marido e mulher.⁹
8 Lv 18 | 9 Mc 6.18; 1Co 5.11. A igreja católica ou universal, que (em relação à obra interior do Espírito e à verdade da graça) pode ser chamada invisível, consiste de todo o número dos eleitos, que foram, são ou serão reunidos em um só corpo, sob Cristo, a Cabeça da mesma; ela é a Esposa, o Corpo, a plenitude dAquele que cumpre tudo em todos.¹
1 Hb 12.23; Cl 1.18; Ef 1.10,22,23; 5.23,27,32
2. Todas as pessoas, em todo o mundo, que professam a fé do Evangelho e obediência a Deus por meio de Cristo, de acordo com isso, não arruinando a sua própria profissão por quaisquer erros de subversão do fundamento, ou impureza de conversação, são, e podem ser chamadas de santos visíveis;² e dos tais, todas as congregações particulares devem ser constituídas.³
2 1Co 1.2; At 11.26 | 3 Rm 1.7; Ef 1.20-22
3. As Igrejas mais puras debaixo do céu estão sujeitas à mistura e ao erro,⁴ e algumas tanto se degeneraram a ponto de tornarem-se não mais igrejas de Cristo, mas sinagogas de Satanás;⁵ no entanto, Cristo sempre teve, e sempre terá, um reino neste mundo, até o fim deste, para aqueles que creem nEle, e fazem profissão de Seu nome.⁶
4 1Co 5; Ap 2,3 | 5 Ap 18.2; 2Ts 2.11-12 | 6 Mt 16.18; Sl 72.17, 102.28; Ap 12.17
4. O Senhor Jesus Cristo é a Cabeça da igreja, em Quem, pela designação do Pai, todo o poder de chamado, instituição, ordenação e governo da igreja está investido de uma forma suprema e soberana;⁷ nenhum Papa de Roma pode, em sentido algum, ser a cabeça desta, antes é aquele anticristo, o homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus, a quem o Senhor destruirá com o esplendor de Sua vinda.⁸* (* Suprimimos esta parte da Confissão, pois cremos que quando a Escritura fala sobre a figura do Anticristo escatológico, o homem do pecado e filho da perdição, ela está se referindo a uma pessoa individual que surgirá no final dos tempos [2 Tessalonicenses 2:2-9], e não especificamente ao título de Papa, embora tanto o Papa que está aí agora como os que vieram antes dele tenham sido anticristos, isto é, inimigos do Cristo de Deus e da verdade que Ele testemunhou [1 João 2:18; cf. 2 João 1:7] — Os Editores.).
7 Cl 1.18; Mt 28.18-20; Ef 4.11-12 | 8 2Ts 2.2-9
5. Na execução deste poder com que Ele é assim confiado, o Senhor Jesus chama do mundo para Ele mesmo, através do ministério de Sua Palavra, por meio de Seu Espírito, aqueles que são dados a Ele por Seu Pai,⁹ para que eles possam andar diante dEle em todos os caminhos da obediência, os quais Ele prescreveu em Sua Palavra.¹⁰ Àqueles que assim são chamados, Ele ordena que andem juntos, em comunidades particulares, ou igrejas, para a sua mútua edificação, e para a devida realização do culto público, que Ele requer deles, no mundo.¹¹
9 Jo 10.16; Jo 12.32 | 10 Mt 28.20 | 11 Mt 18.15-20
6. Os membros dessas igrejas são santos por chamamento, manifestando visivelmente e evidenciando (na e pela sua profissão e caminhar) a sua obediência a esse chamado de Cristo;¹² e voluntariamente consentem em caminhar juntos de acordo com a designação de Cristo, entregando-se a si mesmos ao Senhor, e uns aos outros, pela vontade de Deus em sujeição às ordenanças do Evangelho.¹³
12 Rm 1.7; 1Co 1.2 | 13 At 2.41-42, 5.13-14; 2Co 9.13
7. Para cada uma dessas igrejas assim reunidas, de acordo com Sua mente declarada em Sua Palavra, Ele tem dado todo aquele poder e autoridade, que é em toda forma necessário para a sua realização naquela ordem no culto e disciplina, que Ele instituiu para que eles observem, com ordens e regras para o devido e correto exercício e execução desse poder.¹⁴
14 Mt 18.17-18; 1Co 5.4-5, 5.13; 2Co 2.6-8
8. Uma igreja local, reunida e completamente organizada de acordo com a mente de Cristo, consiste em oficiais e membros; e os oficiais designados por Cristo a serem escolhidos e consagrados pela igreja (assim chamada e congregada), são os anciãos (ou bispos) e os diáconos,¹⁵ para a peculiar administração das Ordenanças e execução de poder ou dever, que Ele confiou a eles, ou para o que os chamou; o que deve ser continuado até o fim do mundo.
15 At 20.17,28; Fp 1.1
9. O caminho apontado por Cristo para o chamamento de qualquer pessoa, capacitada e dotada pelo Espírito Santo, para o ofício de bispo ou ancião em uma igreja, é que ele seja escolhido para isso pelo sufrágio comum da própria igreja¹⁶ e solenemente separado por jejum e oração, com a imposição das mãos do presbitério da igreja, se houver algum nela anteriormente constituído.¹⁷ E de um diácono, que ele seja escolhido por semelhante sufrágio, e separado por meio de oração, e semelhante imposição de mãos.¹⁸
16 At 14.23 | 17 1Tm 4.14 | 18 At 6.3,5,6
10. O trabalho dos pastores é atender constantemente ao serviço de Cristo, em Suas igrejas, no ministério da Palavra e oração, com a assistência às suas almas, como quem deve prestar contas a Ele;¹⁹ cabe às igrejas a quem eles ministram, não somente conceder-lhes o devido respeito, mas também comunicá-los em todas as suas boas coisas, de acordo com sua capacidade,²⁰ de modo que eles possam ter um suprimento confortável, sem serem enredados em assuntos seculares;²¹ e também sejam capazes de exercer hospitalidade para com os outros;²² e isto é exigido pela lei da natureza, e por ordem expressa de nosso Senhor Jesus, que para isso ordenou que os que pregam o Evangelho, vivam do Evangelho.²³
19 At 6.4; Hb 13.17 | 20 1Tm 5.17-18; Gl 6.6-7 | 21 2Tm 2.4 | 22 1Tm 3.2 | 23 1Co 9.6-14
11. Apesar de ser a incumbência dos bispos ou pastores das igrejas serem diligentes em pregar a Palavra, em virtude de seu ofício; ainda assim, o trabalho de pregar a Palavra não é tão exclusivamente limitado a eles, mas aqueles outros também dotados e capacitados pelo Espírito Santo para isso, e aprovados e chamados pela igreja, podem e devem realizá-lo.²⁴
24 At 11.19-21; 1Pe 4.10-11
12. Como todos os crentes são obrigados a unirem-se às igrejas locais, quando e onde eles tiverem a oportunidade de assim fazê-lo, então todos os que são admitidos aos privilégios de uma igreja, também estão sob a disciplina e governo desta, de acordo com a regra de Cristo.²⁵
25 1Ts 5.14; 2Ts 3.6,14,15
13. Nenhum membro deve perturbar qualquer ordem ou abster-se das assembleias da igreja, ou administração de qualquer das ordenanças, por causa de qualquer ofensa recebida por ele, tendo realizado o seu dever requerido em relação às pessoas com quem ele está ofendido sobre a consideração de tal ofensa a qualquer um de seus membros companheiros, mas deve esperar em Cristo, e deixar que o seu caso seja resolvido pela disciplina da igreja.²⁶
26 Mt 18.15-17; Ef 4.2-3
14. Posto que cada igreja, e todos os seus membros, devem orar continuamente pelo bem e prosperidade de todas as igrejas de Cristo,²⁷ em todos os lugares; todos devem, em todas as ocasiões, promover isso, exercendo as suas posições e chamados, no exercício de seus dons e graças. Deste modo, as igrejas, quando, pela providência de Deus, são estabelecidas próximas umas das outras, devem aproveitar a oportunidade e benefício disto, mantendo comunhão entre si, para a sua paz, crescimento em amor e edificação mútua.²⁸
27 Ef 6.18; Sl 122.6 | 28 Rm 16.1-2; 3Jo 8-10
15. Em caso de dificuldades ou divergências, seja em um ponto doutrinário ou administração, se as igrejas em geral são afetadas, ou qualquer uma igreja, em sua paz, união e edificação; ou algum membro ou membros de qualquer igreja estão injuriados, em e por qualquer procedimento de censuras em não conformidade com a verdade e ordem, é de acordo com a mente de Cristo, que muitas igrejas que mantêm comunhão entre si, por meio de seus representantes, reúnam-se para considerar, e deem seu parecer em ou sobre a questão de diferença, a ser comunicado a todas as igrejas envolvidas,²⁹ no entanto, estes representantes reunidos não são investidos de qualquer poder eclesiástico, propriamente dito, ou de qualquer jurisdição sobre as igrejas que as constituem, para exercer quaisquer censuras sobre igrejas ou pessoas; ou impor a sua determinação sobre as igrejas ou oficiais.³⁰
29 At 15.2,4,6,22,23,25 | 30 2Co 1.24; 1Jo 4.11. Todos os santos são unidos a Jesus Cristo, seu Cabeça, pelo Seu Espírito e pela fé, muito embora isso não os torne uma só pessoa com Ele, temos comunhão com Ele em Suas graças, sofrimentos, morte, ressurreição e glória,¹ e, estando unidos uns aos outros em amor, eles têm comunhão com os mesmos dons e graças,² e são obrigados ao cumprimento de tais deveres, públicos e privados, de uma forma ordenada, assim como contribuírem para seu bem mútuo, tanto no homem interior quanto exterior.³
1 1Jo 1.3; Jo 1.16; Fp 3.10; Rm 6.5-6 | 2 Ef 4.15-16; 1Co 12.7; 3.21-23 | 3 1Ts 5.11,14; Rm 1.12; 1Jo 3.17-18; Gl 6.10
2. Os santos, por meio da profissão de fé, são obrigados a manter uma santa associação e comunhão no culto de Deus, e na realização de outros serviços espirituais, que tendem à sua mútua edificação;⁴ como também no alívio de uns aos outros em coisas materiais, de acordo com suas diversas capacidades e necessidades,⁵ em conformidade com a norma do Evangelho. Embora esta comunhão deva ser exercida especialmente no âmbito familiar⁶ e das igrejas,⁷ ainda assim, conforme Deus oferecer oportunidade, deve ser estendida a toda a família da fé, mesmo a todos os que, em todo lugar, invocam o nome do Senhor Jesus. Entretanto, a comunhão de uns com os outros, como santos, não destrói nem infringe o direito ou a propriedade de cada pessoa em seus bens e possessões.⁸
4 Hb 10.24-25, 3.12-13 | 5 At 11.29-30 | 6 Ef 6.4 | 7 1Co 12.14-27 | 8 At 5.4; Ef 4.281. O Batismo e a Ceia do Senhor são Ordenanças de positiva e soberana instituição, nomeados pelo Senhor Jesus, o único Legislador, para serem continuadas em Sua igreja até o fim do mundo.¹
1 Mt 28.19-20; 1Co 11.26
2. Estas santas Ordenanças devem ser administradas somente por aqueles que são qualificados e para isso chamados, de acordo com o comissionamento de Cristo.²
2 Mt 28.19; 1Co 4.11. O Batismo é uma Ordenança do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, sendo para a pessoa batizada um símbolo de sua comunhão com Ele, em Sua morte e ressurreição; de sua união com Ele;³ da remissão dos pecados,⁴ e da sua consagração a Deus, através de Jesus Cristo, para viver e andar em novidade de vida.⁵
3 Rm 6.3-5; Cl 2.12; Gl 3.27 | 4 Mc 1.4; At 22.16 | 5 Rm 6.4
2. Aqueles que realmente professam o arrependimento para com Deus, fé e obediência ao nosso Senhor Jesus Cristo são os únicos sujeitos apropriados desta Ordenança.⁶
6 Mc 16.16; At 8.36-37; 2.41; 8.12; 18.8
3. O elemento exterior a ser usado nesta Ordenança é a água, na qual a pessoa deve ser batizada em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.⁷
7 Mt 28.19-20; At 8.38
4. Imergir ou mergulhar a pessoa em água é necessário para a apropriada administração desta Ordenança.⁸
8 Mt 3.16; Jo 3.231. A Ceia do Senhor Jesus foi instituída por Ele na mesma noite em que foi traído, para ser observada em Suas igrejas até o fim do mundo; para lembrança perpétua e demonstração do sacrifício de Si mesmo em Sua morte,¹ confirmação da fé dos crentes em todos os benefícios disso, seu alimento espiritual e crescimento nEle, seu maior envolvimento em todos os deveres deles para com Ele; e ser um vínculo e penhor de sua comunhão com Ele e uns com os outros.²
1 1Co 11.23-26 | 2 1Co 10.16,17,21
2. Nesta Ordenança Cristo não é oferecido ao Pai, nem qualquer sacrifício real é feito de modo algum para remissão dos pecados dos vivos ou mortos, mas um memorial daquela oferta única de Si mesmo, por Si mesmo, na cruz, de uma vez por todas,³ e uma oblação espiritual de todo o louvor possível a Deus pela mesma;⁴ de modo que o sacrifício papal da Missa, como eles chamam, é a mais abominável injúria ao próprio único sacrifício de Cristo, a única propiciação por todos os pecados dos eleitos.
3 Hb 9.25,26,28 | 4 1Co 11.24; Mt 26.26-27
3. O Senhor Jesus, nesta Ordenança, nomeou que Seus ministros orem e abençoem os elementos do pão e do vinho, e, assim, os separem a partir de um uso comum para um uso sagrado; e tomar e partir o pão, tomar o cálice, e (eles também participando) oferecer ambos aos comungantes.⁵
5 1Co 11.23-26, etc.
4. A negação do cálice ao povo; a adoração dos elementos, o levantá-los ou carregá-los em adoração, e reservá-los para qualquer pretenso uso religioso, são todos contrários à natureza desta Ordenança e à instituição de Cristo.⁶
6 Mt 26.26-28, 15.9; Êx 20.4-5
5. Os elementos exteriores desta Ordenança, devidamente consagrados aos usos ordenados por Cristo, têm relação com Ele crucificado de forma que, embora em termos usados figurativamente, são às vezes chamados pelo nome das coisas que representam, a saber, o corpo e o sangue de Cristo;⁷ ainda que, em substância e natureza, eles ainda permaneçam verdadeira e somente, pão e vinho, como eram antes.⁸
7 1Co 11.27 | 8 1Co 11.26-28
6. Aquela doutrina que sustenta uma mudança da substância do pão e do vinho, na substância do corpo e do sangue de Cristo (comumente chamada de transubstanciação) pela consagração de um sacerdote, ou por qualquer outra forma, é repugnante, não somente às Escrituras,⁹ mas até mesmo ao bom senso e à razão; destrói a natureza da Ordenança; e tem sido, e é, a causa de superstições múltiplas, sim, de idolatrias grosseiras.¹⁰
9 At 3.21; Lc 24.6,39 | 10 1Co 11.24-25
7. Os que comungam dignamente, participando exteriormente dos elementos visíveis desta Ordenança, em seguida, também interiormente pela fé, realmente e de fato, não de maneira carnal e corporalmente, mas espiritualmente, recebem e alimentam-se de Cristo crucificado, e todos os benefícios de Sua morte; o corpo e sangue de Cristo não sendo corporais ou carnais, mas espiritualmente presentes pela fé dos crentes nessa Ordenança, como estão os próprios elementos aos seus sentidos exteriores.¹¹
11 1Co 10.16, 11.23-26
8. Todas as pessoas ignorantes e ímpias, como tais são incapazes de desfrutar de comunhão com Cristo, são também indignas da mesa do Senhor, e não podem, sem grande pecado contra Ele, enquanto eles permanecem assim, participar destes santos mistérios, ou ser admitidos a eles,¹² sim, quem participar indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor, comendo e bebendo juízo para si mesmo.¹³
12 2Co 6.14-15 | 13 1Co 11.29; Mt 7.61. Após a morte, o corpo humano retorna ao pó e vê a corrupção.¹ A alma, porém, não morre nem dorme, porque possui subsistência imortal, retornando imediatamente para Deus, que a deu.² As almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas na santidade, são recebidas no Paraíso, onde eles estão com Cristo e veem a face de Deus em luz e glória, esperando a plena redenção dos seus corpos;³ e as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde permanecem em tormento e trevas espessas, reservadas para o juízo do grande dia.⁴ Além destes dois lugares, destinados às almas separadas de seus corpos, as Escrituras não reconhecem nenhum outro.
1 Gn 3.19; At 13.36 | 2 Ec 12.7 | 3 Lc 23.43; 2Co 5.1,6,8; Fp 1.23; Hb 12.23 | 4 Jd 6-7; 1Pe 3.19; Lc 16.23-24
2. No último dia, os que dentre os santos estiverem vivos não dormirão, mas serão transformados⁵ e todos os mortos serão ressuscitados com os seus mesmos corpos, e não outros,⁶ embora com qualidades diferentes, os quais serão novamente unidos às suas almas para sempre.⁷
5 1Co 15.51-52; 1Ts 4.17 | 6 Jó 19.26-27 | 7 1Co 15.42-43
3. Os corpos dos injustos serão, pelo poder de Cristo, ressuscitados para a desonra; os corpos dos justos, pelo Seu Espírito, para honra e para serem semelhantes ao Seu próprio corpo glorioso.⁸
8 At 24.15; Jo 5.28-29; Fp 3.211. Deus tem determinado um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de Jesus Cristo,¹ a Quem todo o poder e julgamento é dado pelo Pai. Naquele dia, não só os anjos apóstatas serão julgados;² mas também todas as pessoas que viveram sobre a terra devem comparecer perante o tribunal de Cristo, para darem conta de seus pensamentos, palavras e ações; e receberem de acordo com o que eles fizeram no corpo, seja bom ou mau.³
1 At 17.31; Jo 5.22,27 | 2 1Co 6.3; Jd 6 | 3 2Co 5.10; Ec 12.14; Mt 12.36; Rm 14.10,12; Mt 25.32-46
2. O propósito de Deus, ao estabelecer esse dia, consiste em manifestar a glória de Sua misericórdia na salvação eterna dos eleitos; e de Sua justiça na eterna condenação dos réprobos, que são perversos e desobedientes.⁴ Pois, então os justos irão para a vida eterna e receberão aquela plenitude de gozo e glória, com eterno galardão na presença do Senhor, mas os ímpios, que não conhecem a Deus e não obedecem ao Evangelho de Jesus Cristo, serão lançados nos tormentos eternos,⁵ e punidos com eterna destruição, a partir da presença do Senhor, e da glória do Seu poder.⁶
4 Rm 9.22-23 | 5 Mt 25.21,34; 2Tm 4.8 | 6 Mt 25.46; Mc 9.48; 2Ts 1.7-10
3. Cristo deseja que estejamos bem persuadidos de que haverá um dia de juízo, para que os homens se afastem do pecado,⁷ e para maior consolação dos piedosos em sua adversidade;⁸ assim Ele manterá esse dia desconhecido para os homens, para que possam estar livres de toda a segurança carnal, e estar sempre vigilantes, porque não sabemos a que hora o Senhor virá.⁹ Que possamos estar sempre preparados para dizer: Vem, Senhor Jesus, vem depressa.¹⁰ Amém.
7 2Co 5.10-11 | 8 2Ts 1.5-7 | 9 Mc 13.35-37; Lc 12.35-40 | 10 Ap 22.20
